
Observem a capa desta semana da Veja. precisa dizer mais alguma coisa?
Ela me lembra a capa da época do mensalão: uma foto de Lula com o nome embaixo com o “l” trocado por “ll” como se fosse o logo do nome do Collor em sua campanha para presidência em 1989. Essa capa atual transmite tudo muito sutil e facilmente para o público. Fidel está em silhueta, ou seja, ele é uma sombra, uma escuridão, um “mal”. A construção da frase busca acentuar o caráter negativo de sua presença, como exemplo “melancólico” e “isolou”. Isolou de quem? Fim melancólico para quem?
O grau de manipulação, parcialidade e reacionarismo que Veja consegue transmitir é extraordinário, mas minha grande questão é por que Veja é a revista semanal mais lida do Brasil? Talvez existam razões de ordem econômica e geográfica (São Paulo é o antro brasileiro dos reacionários). Entretanto, se existe toda essa “genialidade do mal”, onde estão os gênios do bem? Talvez este seja o grande problema da esquerda brasileira ou simplesmente daqueles que possuem idéias mais interessantes e inovadoras: eles não conseguem esta eficiência para transmitir a mensagem, não conseguem mais falar o “comuniquês” do povo e, muitas vezes, jogam idéias no vazio. Enquanto o senador Eduardo Suplicy fala duas horas sobre o projeto do renda mínima para ser entendido, Diogo Mainardi é lido em cinco minutos por um trabalhador no vagão da CPTM rumo à estação Barra Funda. Uma pena.





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