Archive for March, 2008

Amai ao próximo como a ti mesmo

24 March, 2008

Não se fazem mais camisas Pólo como antigamente. O pai do Bruno ficou ficou ridículo nesse negócio. Duas listras horizontais na altura do peito e um pouco em cima um bordado de um pato bebendo água. O pai dele parece um otário com essa camisa de tiozão.

O Bruno conta de novo a piada do Gatorade. “Sabe o que é um ponto rosa na geladeira? Um GAYtorade! Hahahaha!”. O pai ri que nem um tonto mostrando os dentes amarelos disformes como o Stonehenge. Aposto que tá pensando ‘como meu filho é pimpão’.

Puta que o pariu: a carne tá uma merda. Exagerou no molho agridoce hein dona Perua?!Todo mundo ri. Por que a gente não experimenta um prato novo? Eu pego a faca e ranco um pedaço da coxa da mãe do Bruno, coloco um pouco de mostarda escura, sal. Coloco o alho para dourar na frigideira com azeita extra virgem, depois taco o bifão. A gordura se desmancha, faz a vez de manteiga e o bife fica bem suave e suculento.

Todo mundo ri. Até o Bruno, esse viado, nerd do caralho. Coitado, com um pai otário desse e uma mãe perua, não dá pra ser outra coisa. Ele até que é gente boa se você pensar bem. Eu é que talvez precise de aspirina. É aspirina que cura tudo?

- Tá boa a carne?

- Uma delícia, dona Cecília. 

O insone

6 March, 2008

Duas e dez. 

Merda. Eu vou explodir! 

Movimento. Estava de jeans e jaqueta. Andou até aqui e deu uma baforada na minha cara. Tirou a máscara e era meu maior pesadelo, meu vilão. “Ben maldito!”. Só penso em travesseiros e problemas. É a merda da Internet que cortaram de novo, é a porra do meu editor me ligando querendo o desenho, o dentista remarcando consulta porque o filho quebrou o pé, a vizinha de baixo batendo a vassoura no teto porque eu ando em casa, o zelador “não pode andar sem camisa no prédio”, a geladeira fedendo de comida passada (eu tenho dó de jogar comida fora; a Marlene, minha empregada, não; minha namorada também, não. Elas que joguem então. Foda-se), meu livro que empacou no capítulo três e dois quartos (um rapaz que não consegue paz na metrópole; não é original; mas afinal, o que é?), aquele beleza de mulher, a Nívea, a linda, a brilhante, a reluzente, a gostosa. Não paro de pensar nela. E no travesseiro. E no meu próximo livro que vou começar depois desse (vai ser uma história policial sobre um cara que tem que descobrir um assassinato; não é original, mas afinal, quem disse que tem que ser?). Se eu pudesse deitar num travesseiro agora e limpar a mente, aparecer um branco, nada mais, só um branco, um fundo branco. Por que eu fui ver o novo episódio de Lost logo hoje? Eu posso não ver e ficar tranqüilo, agora eu quero saber o que acontece. Acontece? Um fundo branco, só quero um fundo branco. Um travesseiro e um fundo branco. Movimento. Sem Nívea, comida podre, Lost ou livro (meu próximo livro vai ser um Zé Mané que se apaixona pela mulher mais linda da empresa e resolve que ela só fica com ele e mais ninguém). Travesseiro e fundo branco. Foda-se a internet. Travesseiro e fundo branco. Branco. 

Explodo. 

Duas e quinze.

Sorte de Orkut I: “A sorte destinada a você será cobiçada pelo próximo”.

3 March, 2008

          Saí com os amigos para uma balada no centro. Bebi demais, muito muito muito, o mundo girava, as pernas cambaleavam, os braços estavam moles. Vi uma garota passando, achei interessante, uma beleza diferente, demais até pro meu gosto, porém ela estava sozinha. Que sorte! Sozinha a esta hora da noite. Fui até ela e dei-lhe um beijo daqueles de cinema, de apaixonar qualquer garota solitária. Olhei pra ela e reparei que ou estava vendo tudo embaçado ou ela era tão bonita quanto um orangotango tailandês. Meu Deus! Que horror! Um camarada bem mais bêbado do que eu quis tirá-la de mim na marra e, como aquelas coisas que ninguém entende, eu não deixei. Começamos a nos digladiar pelo amor de uma baranga cujo bafo de cachaça e a cara de jaca mantiveram-na solitária durante toda a balada. Meu adversário me jogou no chão, e levantei para dar-lhe um soco, mas errei… Pá! Levei um no olho, caí no chão. Perdi minha boa ventura para um brutamontes otário. No outro dia, se eu encontrasse o dito cujo, não saberia se lhe mataria ou agradeceria pela sorte do olho roxo. Só sei que a feiosa ficou com sua auto-estima no paraíso com a sorte de encontrar dois trouxas que duelaram por sua incomensurável beleza.