Não se fazem mais camisas Pólo como antigamente. O pai do Bruno ficou ficou ridículo nesse negócio. Duas listras horizontais na altura do peito e um pouco em cima um bordado de um pato bebendo água. O pai dele parece um otário com essa camisa de tiozão.
O Bruno conta de novo a piada do Gatorade. “Sabe o que é um ponto rosa na geladeira? Um GAYtorade! Hahahaha!”. O pai ri que nem um tonto mostrando os dentes amarelos disformes como o Stonehenge. Aposto que tá pensando ‘como meu filho é pimpão’.
Puta que o pariu: a carne tá uma merda. Exagerou no molho agridoce hein dona Perua?!Todo mundo ri. Por que a gente não experimenta um prato novo? Eu pego a faca e ranco um pedaço da coxa da mãe do Bruno, coloco um pouco de mostarda escura, sal. Coloco o alho para dourar na frigideira com azeita extra virgem, depois taco o bifão. A gordura se desmancha, faz a vez de manteiga e o bife fica bem suave e suculento.
Todo mundo ri. Até o Bruno, esse viado, nerd do caralho. Coitado, com um pai otário desse e uma mãe perua, não dá pra ser outra coisa. Ele até que é gente boa se você pensar bem. Eu é que talvez precise de aspirina. É aspirina que cura tudo?
- Tá boa a carne?
- Uma delícia, dona Cecília.
Tags: almoço, carne, conto, cozinha, culinária, família, gatorade, perua





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