Sydney Pollack não esta na galeria dos grandes diretores de cinema e talvez tenha morrido nesta segunda-feira sem deixar uma grande obra-prima – deixou, inegavelmente, bons filmes e a maioria acima da média do cinema comercial como Três Dias do Condor e Tootsie. Entretanto, Pollack é o exemplo do profissionalismo hollywoodiano e isso não deve ser de todo ignorado pela crítica e pelos próprios realizadores. Se admiramos Orson Welles, Sam Fuller e Penckinpah por serem outsiders, não se deve, por outro lado, odiar Pollack por sua relação de intimidade com a indústria. Deve-se tirar daí o que há de interessante e buscar absorver essa característica. No caso de Pollack fica claro que se não era um diretor dos mais investivos no aspecto visual, sempre foi muito equilibrado no sentido estético. Nada distoa em seus filmes, existe um domínio do conceito do fazer cinema que só a prática pode garantir. OUtra grande contribuição que Pollack deixa para nós é sua capacidade em dirigir atores – claro que os bons atores com os quais ele trabalhou só estão lá porque ele é reconhecido dentro da indústria. As atuações em seus filmes são sempre interessantes, no mínimo – nunca destoam assim como os aspectos estético. Equilíbrio talvez fosse sua palavra favorita. Se não foi um dos maiores, pelo menos não ficou na irrelevância – o pior dos finais para o filme da carreira de um cineasta.
Archive for May, 2008
Sydney Pollack
30 May, 2008O caso do fotógrafo
25 May, 2008Cebola chegou todo empolgado no bar. Viu Celinho e Armando sentados numa mesa e foi ao encontro dos dois com uma mala de madeira preta, daquelas que antigamente os fotógrafos de jornal guardavam suas câmeras. Celinho e Armando ficaram aliviados quando viram a chegada do cabeçudo. Pelo era assim que eles pensavam. Por que alguém teria o apelido de ‘Cebola’? Porque era cabeçudo, porra! Sempre que encontram Cebola, ficam reparando no tamanho da cabeça; Celinho acha que ele tem uma cabeça normal, mas Armando é categórico: “Aposto que ele usa chapéu 62 pra mais”. Independente disso, os dois se aliviaram com a chegada do cabeção.
- Porra! Que embaço, caralho! Achei que já tinha melado tudo!
Cebola continuou rindo.
- Vocês não acreditam o que aconteceu?
- O quê? Teve que levar a mamãe no médico?
Um fanfarrão esse Armando.
- Não. Melhor. Quase tomei um enquadro e to aqui, limpo. E olha só: com o presentinho de vocês.
Pareciam duas crianças quando pegaram a maletinha na mão. Abriram e o sorriso foi de orelha a orelha.
- Muito bom, garoto, muito bom.
- Não, não, pera eu contar o bagulho.
EXT. RUA – DIA
Eu tava no carro ouvindo um Jorge Ben, tranqüilão, vindo pra cá, aí a marginal tava parada, parada mesmo. Aí cortei caminho pela USP e foi direto, saí lá na avenida principal, cruzei a Alvarenga, passei em frente o DP e tava tudo limpo. Quando eu tava ali no balão pra ir pra ponte, um cara passou no vermelho e pegou a lateral do carro.
- O Fusca? – Celinho é fã de fusca, com certeza ficaria puto se fosse o Fusca.
- Não, não. Era a Paraty do meu irmão.
Paramo os carros. Olhei o retrovisor: “POLÍCIA CIVIL”. Fudeu. O cara desceu, falei pra mim mesmo ‘Filho da puta. Vai querer um lanche’ e desci. Quando eu cheguei perto dele, o cara nem deixou eu falar.
- Olha, eu passei no vermelho, eu pago tudo. Só não vamo fazê B.O., beleza?
- Por que não o B.O.?
- Já é a segunda viatura que eu bato esse mês, não quero sujar pro meu lado, beleza?
- Por mim, assinando o borrachudo, ta tudo certo.
Ederval o nome do malandro. Tava fingindo que nada rolou. Era honesto, mas bração. Tava tentando salvar o emprego. Até que eu simpatizei com o camarada. Na hora ele tirou a carteira e pegou o borrachudo.
- Quanto?
- Quanto o que?
- O conserto.
- Sei lá.
- Sei lá? Fala um número aí. Não sei nada de funilaria.
- Quatrocentos?
- Trezentos.
Não deixou respondê, mas acho que trezentos é firmeza.
- Ih, cara, tomou pica.
- Celinho, desde quando você é funileiro?
- Porra, eu era da funilaria do quartel.
- Ce era milico?
- Ué, eu te falei que…
Cebola se irritou um pouco. Inclinou-se na mesa entre os dois.
- Desculpa interromper o casal, mas posso continuar meu raciocínio?
Folgado esse Cebola. Mas gente fina e bom pra caralho.
Pois bem, retomando: O milico, quer dizer, o civil, fez o cheque em cima do capô do carro. Olhô pra dentro do carro e viu uma alça, sim, essa alça dessa maletinha saindo por debaixo do banco. Sim, eu escondi a maletinha debaixo do banco, eu sei, eu fui cabaço, mas acontece.
- O que é isso?
Coração a mil.
- A alça ali ó.
Controle-se, controle-se, Cebola.
- Ah, aquilo!
Abri a porta do motorista e peguei a maletinha.
- Isso é… é… minha câmera fotográfica. Eu trabalho com fotografia.
- É mesmo? Legal, legal… Posso ver a máquina?
Filho da puta do caralho. Quer virar o jogo, né, malandro? Mas aqui é timão, porra! È um bando de loco! Nóis num se entrega pra porco, não!
- Então, não pode. Tem um filme aqui fora da máquina que não pode tomar sol assim direto, é meio sensível, sabe?
- Ah, tá, sei. Pô, que pena. Eu curto bastante fotografia. Eu trabalhava prum primo meu há uns anos aí. Ele fazia foto na Brasileirinhas, sabe?
- Sei.
- E eu ajudava ele a carregar as coisas. Eu curtia o negócio, mas nem deu certo aí, né.
Policial metido a artista. Ô raça miserenta.
- Mas é isso aí. Tó o cheque, beleza? Até mais.
- Falou.
- O cara entrou no carro e foi embora.
- E?
- ‘E?´ o quê?
- Que mais?
- Que mais nada. Eu vim pra cá e trouxe o bagulho pra vocês.
O ‘bagulho´estava sobre a mesa em blocos de vinte em vinte É um papel laranja com uma onça pintada no verso. Devia ter uns doze maços de vinte onças pintadas dentro da maletinha.
- Que bosta de história.
Um otário esse Armando, não sabe nada de história.
- Que nada! O cara teve mó sangue frio. Tirou o polícia no gogó. Mostro que é bom e é sangue frio. Mando bem, Cebola.
Esse Celinho sim é um letrado.
- Ele nem fez nada. O polícia tava cagando de medo dele ligar pra delegacia ou pedir B.O.
- Você não entende nada de polícia, Armando.
- Ô milico: fica de boa que você entende de queimar a tarraqueta.
De novo essa putaria.
- O casal pode deixar a briga pra depois?
Armando e Celinho olham para Cebola conformados pensando como ele é gente boa, mas às vezes o senso de humor dele irrita pela insistência.
Armando pega um maço de notas e joga na direção de Cebola que, feliz da vida, guarda- o na jaqueta. Feliz da vida, ele levanta, se despede e dá as costas pros dois. Dá uns quatro passos pronto para conquistar o mundo exterior, mas o destino é mesmo insólito.
- Peraí, Cebola. Da onde você tirou esse negócio de filme sensível, câmera, fotografia?
Filho da puta esse Armando. Só tá vivo porque é um desconfiado.
- É que… eu fui fotógrafo.
Calma. Calma.
- Ó aí Celinho. O cara era um artista.
- E você tirava foto de quê, ô Cebola?
Muita calma nessa hora.
- Deixa queto.
- Não não. Fala aí. Que porra de foto que você tirava?
Respira. Um, dois. Respira.
- Não quero falar. Deixa pra lá, certo?
- Não, fala que porra de foto você tirava.
- Eu tirava foto na G Magazine.
É a vida.
Armando e Celinho ficam em silêncio olhando Cebola constrangido. Os dois começam a rir como se tivessem vendo um filme do Jerry Lewis. Melhor: o Mussum sambando vestido de frango.
- Hahahahaha! Incrível, Celinho, o cara tirava foto de bago de negão!
- Você tinha que ajeitar os pentelhos dos caras antes de tirar fotinho, hahahahaha!
- Hehehe, falou seus trouxas.
- Falou, Cebola!
Babacas.
Um sorriso nos olhos quando sai do bar.
O dia está bom; meio nublado, uns dezoito graus, mas não está frio, frio. O suficiente para usar uma malha ou jaqueta. É dela que, andando na rua, Cebola tira o maço de notas e joga numa lixeira de rua. É dela também que ele pega o celular e liga para o Fefo.
- Alô, Fefo? Certo cara, aqui é o Adriano. Certo, tudo feito. Você me deve duzentos mangos mais a minha parte. Claro que deu, sempre dá certo essa história do carro. Os caras ficaram tão ligados que nem conferiram o bagulho. Não não! O bagulho era bom, quando eles perceberem vai ser num banco ou num mercado, eles vão se fuder, e que se fodam, não é verdade? Haha. Falou, Fefo, até mais. Abraço.
Um fanfarrão esse Adriano.
Primeira Impressão
14 May, 2008Acabei de assistir a Speed Racer e fiquei impressionado com o filme. É uma experiência interessante. Ainda não digeri o filme o suficiente para escrever uma crítica – ele está quente, acabou de sair do estado de efervessência – mas em breve vou escrever e coloco aqui. A impressão que tive foi que vi o filme mais surreal do cinema americano em anos – mais que o divertido Hairspray. No mínimo, Speed Racer é diversão garantida.
Perdeu, Playboy
13 May, 2008Para quem ainda não voltou do Mundo da Menina Isabella, a nova da semana é a gravidez da atual ex-namorada do Ronaldinho “Fenômeno” logo após eles terminarem devido ao que os meios de comunicação têm chamado de Caso dos Três Travecos Trambiqueiros. O craque de bola agora vai ser papai e já não bastasse a possibilidade de perder a bolada da Nike, ainda vai ter que pagar uma nada modesta pensão ao bebezinho que virá.
Como pode alguém ter tido tudo na vida e de repente se ver todo cagado?
Richthofen/Jatobá
11 May, 2008Pra quem não sabe, Ana Carolina Jabotá, madrasta da Menina Isabella, foi presa (duvido que alguém não saiba), depois transferida para um presídio feminino. Lá ela foi hostilizada (o que eu acho que todo mundo poderia supôr, né?) pelas companheiras de cadeia. Adivinha só: ela foi novamente transferida para um outro presídio. E quem será companheira de presídio de Jatobá? Suzanne von Richthofen!
Daqui saem duas possibilidades: as duas gênias do crime podem se tornar amigas e a partir daí o barrcao tá armado lá no cadeião. As mina vão representar e azucrinar delícia em cima das outra companheira. Um pandemônio de emoções e dominação das mentes criminosas das divas do terror. A outra possibilidade é que as duas não se biquem e criem uma rivalidade sem tamanho. Jatobá, com seu poder da dúvida e sua juventude no auge, mesmo sem recursos necessários, podeira iniciar uma revolução contra a opressão econômico-política de RICHthofen, que não deixaria barato e montaria um verdadeiro time de mercenárias perigosas. Resumindo: ou “duas cabeças pensam melhor do que uma” ou uma luta de classes. As consequências podem ser desastrosas.
Mas pode ser também que Jatobá seja inocente e saia pela porta da frente dando tchauzinho.
Crime e Castigo
10 May, 2008O que mais me agrada em Crime e Castigo é a capacidade de Dostoiévski de segurar o leitor na palma da mão. Quando quer, ele acelera a ação; por outro lado torna a escrita mais dura e lenta quando convém. É uma obra competente no sentido mais simples da coisa: Dostoiévski tem total domínio do que está fazendo. Não é pura “inspiração”; é um rigoroso tratamento estético aliado à capacidade técnica. Não poderia dar em outra coisa que não uma obra-prima da literatura.
Algo que é importante de se notar é o cuidado que Dostoiévski tem em não perder o leitor. O autor sempre retoma os temas de maneira sutil, repete os dados sempre com elegância, como quem dá um aviso, sem fazer grande alarde. Tem-se que levar em conta que à época do lançamento o folhetim era a forma básica de publicação de um livro. Mesmo com esse dado, percebe-se como Dostoiévski estava precoupado em não apenas compôr uma obra de importância estética, mas também de capacidade de ser lido, compreendido, acompanhado. Ele é daqueles autores que inicia uma viagem e chama o leitor como acompanhante, andando com ele de mãos dadas. Dostoiévski pode ser classificado como um verdadeiro artista, seja lá qual for a época.
Poder
10 May, 2008Se eu tivesse poder
se eu pudesse mandar
se eu pudesse matar
eu mudaria o mundo?
O sol se põe avermelhado no horizonte
a coruja se posta atenta na árvore
os portões se trancam de medo
e se eu tivesse a chave
eu iria mudar o mundo?
As pessoas bebem e comungam no bar
os padres rezam e erram no mosteiro
os pobres sofrem e roubam em casa
os bandidos fumam e legislam nas ruas
os deputados brigam e brindam no planalto
e se eu tivesse uma arma com a chave de tudo
que mundo eu iria mudar?
Homem de Ferro
9 May, 2008Saí da sessão de Homem de Ferro com a impressão de que não era uma adaptação de quadrinhos tão comum assim.
Talvez seja por causa do Robert Downey Jr. e sua inegável fotogenia além do talento como ator (que ele inegavelmente tem) muito bem utilizados ao longo do filme.
Pode ser também por causa do Jeff Bridges. Ao contrário do que fizeram com Kevin Spacey, Bridges tem seus recursos de atuação realmente utilizados pela direção e fica bem acima da média dos vilões do gênero.
Um outro motivo é a dramaturgia em si, já que o grande investimento artistico do filme é com o conflito entre as personagens utilizando-se do bom elenco reunido aqui. Botar em cena Robert Downey Jr. e Jeff Bridges e vermos que realmente há uma relação protagonista/antagonista com força sem, contudo, menosprezar o espectador é algo raro em filmes desse gênero.
Ainda assim, não acho que vi uma grande adaptação de quadrinhos para o cinema. Algo está fora ainda, as cenas de ação não despertam um algo a mais e parece sempre que os filmes não captaram a especificidade das histórias em quadrinhos. Ainda não se tentou uma adaptação de fato da experiência das HQs, apenas uma transposição das personagens de forma naturalista na tela grande.
Nesse sentido as antigas adaptações do Superman de Richard Donner e o Batman de Tim Burton estão à frente. Entretanto, é no Indiana Jones de Spielberg que vejo uma via interessante para se adaptar HQs para o cinema.
Rumor
7 May, 2008- Deve ter micro-pênis… – disse Nelson a Caio ao verem a mulher mais linda do mundo sair do vagão do metrô onde eles estavam.





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