Crime e Castigo

10 May, 2008

crime e castigo

O que mais me agrada em Crime e Castigo é a capacidade de Dostoiévski de segurar o leitor na palma da mão. Quando quer, ele acelera a ação; por outro lado torna a escrita mais dura e lenta quando convém. É uma obra competente no sentido mais simples da coisa: Dostoiévski tem total domínio do que está fazendo. Não é pura “inspiração”; é um rigoroso tratamento estético aliado à capacidade técnica. Não poderia dar em outra coisa que não uma obra-prima da literatura.

Algo que é importante de se notar é o cuidado que Dostoiévski tem em não perder o leitor. O autor sempre retoma os temas de maneira sutil, repete os dados sempre com elegância, como quem dá um aviso, sem fazer grande alarde. Tem-se que levar em conta que à época do lançamento o folhetim era a forma básica de publicação de um livro. Mesmo com esse dado, percebe-se como Dostoiévski estava precoupado em não apenas compôr uma obra de importância estética, mas também de capacidade de ser lido, compreendido, acompanhado. Ele é daqueles autores que inicia uma viagem e chama o leitor como acompanhante, andando com ele de mãos dadas. Dostoiévski pode ser classificado como um verdadeiro artista, seja lá qual for a época.

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