É interessante notar como dois diretores já na terceira idade de suas carreiras enxergam a atualidade: tanto Woody Allen quando Sidney Lumet fizeram filmes em 2007 – e só lançados agora – sobre irmãos envolvidos em um assassinato por questões financeiras. Respectivamente: O Sonho de Cassandra e Antes que o Diabo Saiba que você está Morto.
Ainda que a abordagem da cada filme seja completamente diferente, eles nos mostram como reina uma certa desesperança com a atualidade, certa automatização das pessoas por causa do dinheiro e da ascenção social. Talvez seja uma reflexão interessante a fazer: quando os diretores da velha Hollywood estavam em fim de carreira, os filmes refletiam uma mudança de comportamento típica dos anos 60 e os temas estavam muito ligados ao homem sem lugar, aquele que não se adapta aos novos tempos – com certa dose de desesperança. Por que a geração que veio depois e agora está em fim de carreira, vê nosso mundo desta maneira desesperançada? É como se o mundo tivesse mudado pouco mas as barreiras éticas, políticas, morais e comportamentais se tornaram tão mais obscuras que o homem não vê limites para as realizações mais detestáveis possíveis. É o contrato de Hobbes jogado no lixo.
Formalmente, Allen está em sua fase bergmaniana, como sempre desejara mas só agora alcançada. Seu humor particular dá interesse aos personagens de Cassandra: a boçalidade deles mostra o quão desorientado estamos dentro da estrutura social; Lumet é mais profundo e ambicioso que Allen. Investe nas relações entre as personagens e não na situação em si; problematiza os protagonista, questiona as situações através de diversos pontos de vista. Allen já tem uma idéia de resposta pronta; Lumet tem uma pergunta e, na falta de uma resposta boa, propõe seu próprio desfecho para a questão.
A simplicidade superficializada de Allen nos deixa com a impressão de que o mundo não faz nenhum sentido; com Lumet a sensação é de que alguma coisa está fora da ordem. De qualquer maneira, o mundo está entregue a pessoas que não têm nem idéia do que fazer com ele.
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