Um apanhado dos filmes vistos nessa semana:
Adeus, Dragon Inn (Goodbye, Dragon Inn), dir. Tsai Ming-Liang
Demora muito a engrenar, mas tem lá seu interesse pelo vazio completo da sala de cinema. Seria uma analogia ao espetáculo cinematográfico contemporâneo?
Quanto Dura o Amor?, dir. Roberto Moreira
As grandes transformações da protagonista não são compartilhadas com o espectador.
Sukiyaki Western Django, dir. Takashi Miike
História em quadrinhos, com molho tarantinesco em dose cavalar, levada ao paroxismo. Sacou?
A Mulher sem Cabeça (La Mujer sin Cabeza), dir. Lucrecia Martel
A grande ironista do cinema latino-americano aposta na questão do visto e do não visto para falar sobre o que existe ou não e o papel da percepção, sempre deficiente. O cinemascope opressor e a personagem que parece vagar sozinha no quadro em meio a fantasmas, o som cheio de alarmes falsos colorem o jogo. Parece até pesado, mas é a grande ironia da cineasta argentina.
Singularidades de uma Rapariga Loura, dir. Manoel de Oliveira
Doce surpresa. Um filme cheio de alegria e simplicidade.
Vencer (Vincere), dir. Marco Bellocchio
Um melodrama dos mais bem dirigidos. Não há invencionices, nem cafonagens modernosas. É filme das antigas, mas nunca antigo. Reflete sobre a história, o totalitarismo e a construção do imaginário (do qual a história também faz parte). Bellocchio faz barba e cabelo numa das obras-primas do ano.
Besouro, dir. João Daniel Tikhomiroff
O Tigre e o Dragão revisitado, sem a sensibilidade de Ang Lee, sem a presença de Chow Yun-Fat, com um roteiro primário de tão amador e recheado da cafonice do filme taiwanês. Mas tudo bem, as lutas são sensacionais. Fica o exemplo.
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