Archive for the 'Contos' Category

Noite de Estréia

3 July, 2008

Alan estava preocupado. Não podia esquecer suas falas, era noite de estréia, todo mundo ansioso, a crítica pronta a destruir a casa formada ao longo dos meses com todo cuidado e carinho. Mas também tinha Lucy. Ela, a linda, a assistente de direção do espetáculo, pequena, suave como a Vênus de Boticelli, com suas bochechas algodoadas riscando o ar por onde passava e destruindo o atrito exercido por ele com seu sorriso irradiante. Não há dúvidas de quer é bela e de que Alan está apaixonado como poucas vezes esteve. Sonhou com ela noites e noites em seqüencia, pensando no primeiro beijo atrás da coxia, o toque suave de suas mãos na cintura da garota, seus dedos tocantes as bochechas desbravadoras, as bocas se tocando com ardência em dia de primavera, um espetáculo da natureza formado por dois corpos juntos, imersos no infinitesimal do tempo, paralisados perante o esplendor de um único momento que se tornaria eterno. Não conseguia pensar nas falas.

Pensou em “Oh, meu Príncipe, o meu dever, por ser audacioso, prejudica o comportamento da minha afeição” nos últimos seis meses. Ensaiou as intenções, as pausas, as entonações, estruturou toda a psicologia do momento e buscou em seus banco as memórias afetivas. Tudo ruiu agora que Alan percebe que Lucy vem em sua direção, sorrindo, preocupada é claro, mas sorrindo, resplandecendo, dando aos pobres como ele mera esmola de beleza. Tiveram uma amizade que cresceu ao longo da produção.Lucy mora no mesmo bairro que Alan e ela sempre deu carona em dias de ensaio para garantir que ele não atrasasse. Não é sem razão que a amizade cresceu, pois caronas sempre pedem interação. Alan nunca confiou em si, porém sempre se impôs enquanto o mais desconfiado de si mesmo e isto sempre rende algumas boas risadas eventuais. É claro que as mulheres preferem a confiança que irão defendê-las do mundo, mesmo que isto traga junto uma série de qualidades pouco amistosas, àqueles que irão fraquejar frente ao leão de sete cabeças. Entretanto, algo dava esperança a Alan. Sim, ele sentia que seria ali, agora, o momento fora do quantum, a elipse da existência.

- Tá pronto, Alan? Você entra logo.

- Tô. “Mas não consigo comandar daí qualquer declaração harmoniosa; me falta perícia”.

Os dois riem. O sorriso dela é diferente: os dentes sobressaem, contudo não chamam a atenção, não tentam aparecer; formam uma simetria interessante com os lábios, puxam o que há de mais bonito no entorno e com isso formam um teatro mágico de forma e conteúdo.

- Parece que você ta pronto mesmo. Olha, fica tranqüilo tá tudo correndo super bem, ta bom?

- Tudo bem. Falta quanto tempo pra eu entrar?

- Cinco minutos. Cadê o Edu?

- No camarim. Ele gosta de ficar sozinho, rezar, baixar o personagem. Eu prefiro ficar aqui na quentura.

- Bem, eu vim aqui ver se está tudo bem e… desejar sorte, né?

- Obrigado.

- De nada.

Ela não vai. Silêncio. Ela continua ali. O que fazer? Silêncio.

- Eu preciso te dizer uma coisa.

- O quê?

Alan pega Lucy pela cintura e a beija. Ela não recusa, não se opõe, não o chuta ou empurra: Lucy beija Alan, que não acredita que o tempo parou, que tudo o que deveria ter ido não foi, que o universo é agora um beijo, um encontro de bocas, um gosto doce, um gesto de lábios, uma troca, um tudo.

Silêncio.

Um olhar.

- Eu preciso te dizer uma coisa.

- Fala.

- Eu sou casado.

- É sua hora.

Ela simplesmente se vira e vai embora. Será que ficou decepcionada? Sentiu algo. Ela volta com Edu, parece ter o olho cheio de lágrimas, mas não será só impressão? Lucy nem chega perto. Qual é a primeira fala.

- Pronto Edu?

- Vamos lá parceiro.

É hora do show.

- Maravilhoso, gente! Vocês foram um espetáculo! Com certeza nós vamos fazer uma temporada enorme, mesmo!

O diretor é um otário. Se acha pra caralho, mas não sabe de nada. Com o elenco que tem nas mãos ,é lógico que ia ser um sucesso; só tem gente boa e talentosa. O texto nem se fala, fora de questão. Uma das melhores traduções já feitas. Ele não teve que fazer nada, só comemorar, tomar seu champanhe, comer um canapé, agradecer, dar meia volta e sair.

No meio da comemoração, Lucy está sozinha, lacônica, toma a champanhe e conversa com as pessoas por convívio mais que por vontade. Ela olha para Alan que já está lá esperando há muito tempo. Ela desvia o olhar e volta a conversar com a equipe.

Quando ela pede licença, Alan vai atrás. Ele a interrompe; nunca teve tanta coragem assim.

- Lucy…

- Por que você falou aquilo? Eu não preciso saber disso!

- Mas você precisa saber. Eu preciso…

- Eu não quero saber! Olha, você quer saber? Eu tenho namorado! E agora? Como fica?

Eu não sei; ninguém sabe; alguém saberia?

- Eu só quero um negócio legal com você, mas não quero saber o que fazer da vida agora! Eu não preciso saber da sua mulher, da sua família. Só me pressiona, Eu não quero isso.

Ela desanima. Alan a abraça. Um abraço sincero, sentido, dois corpos jogados na vida sem órbita, passando pelos planetas sem saber onde vão se chocar. A fraqueza que os atinge se torna força. Alan, o covarde, ergue o rosto de Lucy, a bela, e a olha. O olhar comunicativo, sem palavras. Palavras não são nada, não tem significado, são padrão, norma. O olhar que Alan e Lucy trocam é conceito, é substância. O olhar seguido do beijo: ninguém vê, ninguém ouve, mas eles estão lá, protagonizando o espetáculo de suas existências e aplaudindo na primeira fila. Como num filme, Alan não sabe se sonha ou se vive, se pára em busca da verdade ou se deixa levar pela leviandade de um momento único que pode ser a maior das mentiras, o sonho de ser estrela, quando na verdade, tudo não passa de uma fantasia que, mesmo boa, acaba quando a cortina se fecha.

É dia. O despertador toca ensurdecendo Alan. Sua esposa se levanta e vai ao banheiro. Ele não entende nada, tira um cochilo. Algum tempo depois – não se sabe quanto, pois essas coisas não são medidas – a esposa de Alan abre as cortinas. É um belo dia de sol. Não há nada de diferente de outro belo dia de sol. Ela vai até ele, fica sobre ele e o beija com carinho.

- Meu bom senhor, permita-me uma palavra.

- Pode dizer meu nobre ator.

Alan tem uma sensação de tudo e nada, um paradoxo de instantes que duram eternamente. Algo engasga em sua garganta, mas não resiste e sai sem pedir licença.

- Te amo.

Isso deixa a esposa feliz, pois sabe que, dia após dia, a temporada não vai acabar.

O caso do fotógrafo

25 May, 2008

Cebola chegou todo empolgado no bar. Viu Celinho e Armando sentados numa mesa e foi ao encontro dos dois com uma mala de madeira preta, daquelas que antigamente os fotógrafos de jornal guardavam suas câmeras. Celinho e Armando ficaram aliviados quando viram a chegada do cabeçudo. Pelo era assim que eles pensavam. Por que alguém teria o apelido de ‘Cebola’? Porque era cabeçudo, porra! Sempre que encontram Cebola, ficam reparando no tamanho da cabeça; Celinho acha que ele tem uma cabeça normal, mas Armando é categórico: “Aposto que ele usa chapéu 62 pra mais”. Independente disso, os dois se aliviaram com a chegada do cabeção.

- Porra! Que embaço, caralho! Achei que já tinha melado tudo!

Cebola continuou rindo.

- Vocês não acreditam o que aconteceu?

- O quê? Teve que levar a mamãe no médico?

Um fanfarrão esse Armando.

- Não. Melhor. Quase tomei um enquadro e to aqui, limpo. E olha só: com o presentinho de vocês.

Pareciam duas crianças quando pegaram a maletinha na mão. Abriram e o sorriso foi de orelha a orelha.

- Muito bom, garoto, muito bom.

- Não, não, pera eu contar o bagulho.

EXT. RUA – DIA

Eu tava no carro ouvindo um Jorge Ben, tranqüilão, vindo pra cá, aí a marginal tava parada, parada mesmo. Aí cortei caminho pela USP e foi direto, saí lá na avenida principal, cruzei a Alvarenga, passei em frente o DP e tava tudo limpo. Quando eu tava ali no balão pra ir pra ponte, um cara passou no vermelho e pegou a lateral do carro.

- O Fusca? – Celinho é fã de fusca, com certeza ficaria puto se fosse o Fusca.

- Não, não. Era a Paraty do meu irmão.

Paramo os carros. Olhei o retrovisor: “POLÍCIA CIVIL”. Fudeu. O cara desceu, falei pra mim mesmo ‘Filho da puta. Vai querer um lanche’ e desci. Quando eu cheguei perto dele, o cara nem deixou eu falar.

- Olha, eu passei no vermelho, eu pago tudo. Só não vamo fazê B.O., beleza?

- Por que não o B.O.?

- Já é a segunda viatura que eu bato esse mês, não quero sujar pro meu lado, beleza?

- Por mim, assinando o borrachudo, ta tudo certo.

Ederval o nome do malandro. Tava fingindo que nada rolou. Era honesto, mas bração. Tava tentando salvar o emprego. Até que eu simpatizei com o camarada. Na hora ele tirou a carteira e pegou o borrachudo.

- Quanto?

- Quanto o que?

- O conserto.

- Sei lá.

- Sei lá? Fala um número aí. Não sei nada de funilaria.

- Quatrocentos?

- Trezentos.

Não deixou respondê, mas acho que trezentos é firmeza.

- Ih, cara, tomou pica.

- Celinho, desde quando você é funileiro?

- Porra, eu era da funilaria do quartel.

- Ce era milico?

- Ué, eu te falei que…

Cebola se irritou um pouco. Inclinou-se na mesa entre os dois.

- Desculpa interromper o casal, mas posso continuar meu raciocínio?

Folgado esse Cebola. Mas gente fina e bom pra caralho.

Pois bem, retomando: O milico, quer dizer, o civil, fez o cheque em cima do capô do carro. Olhô pra dentro do carro e viu uma alça, sim, essa alça dessa maletinha saindo por debaixo do banco. Sim, eu escondi a maletinha debaixo do banco, eu sei, eu fui cabaço, mas acontece.

- O que é isso?

Coração a mil.

- A alça ali ó.

Controle-se, controle-se, Cebola.

- Ah, aquilo!

Abri a porta do motorista e peguei a maletinha.

- Isso é… é… minha câmera fotográfica. Eu trabalho com fotografia.

- É mesmo? Legal, legal… Posso ver a máquina?

Filho da puta do caralho. Quer virar o jogo, né, malandro? Mas aqui é timão, porra! È um bando de loco! Nóis num se entrega pra porco, não!

- Então, não pode. Tem um filme aqui fora da máquina que não pode tomar sol assim direto, é meio sensível, sabe?

- Ah, tá, sei. Pô, que pena. Eu curto bastante fotografia. Eu trabalhava prum primo meu há uns anos aí. Ele fazia foto na Brasileirinhas, sabe?

- Sei.

- E eu ajudava ele a carregar as coisas. Eu curtia o negócio, mas nem deu certo aí, né.

Policial metido a artista. Ô raça miserenta.

- Mas é isso aí. Tó o cheque, beleza? Até mais.

- Falou.

- O cara entrou no carro e foi embora.

- E?

- ‘E?´ o quê?

- Que mais?

- Que mais nada. Eu vim pra cá e trouxe o bagulho pra vocês.

O ‘bagulho´estava sobre a mesa em blocos de vinte em vinte É um papel laranja com uma onça pintada no verso. Devia ter uns doze maços de vinte onças pintadas dentro da maletinha.

- Que bosta de história.

Um otário esse Armando, não sabe nada de história.

- Que nada! O cara teve mó sangue frio. Tirou o polícia no gogó. Mostro que é bom e é sangue frio. Mando bem, Cebola.

Esse Celinho sim é um letrado.

- Ele nem fez nada. O polícia tava cagando de medo dele ligar pra delegacia ou pedir B.O.

- Você não entende nada de polícia, Armando.

- Ô milico: fica de boa que você entende de queimar a tarraqueta.

De novo essa putaria.

- O casal pode deixar a briga pra depois?

Armando e Celinho olham para Cebola conformados pensando como ele é gente boa, mas às vezes o senso de humor dele irrita pela insistência.

Armando pega um maço de notas e joga na direção de Cebola que, feliz da vida, guarda- o na jaqueta. Feliz da vida, ele levanta, se despede e dá as costas pros dois. Dá uns quatro passos pronto para conquistar o mundo exterior, mas o destino é mesmo insólito.

- Peraí, Cebola. Da onde você tirou esse negócio de filme sensível, câmera, fotografia?

Filho da puta esse Armando. Só tá vivo porque é um desconfiado.

- É que… eu fui fotógrafo.

Calma. Calma.

- Ó aí Celinho. O cara era um artista.

- E você tirava foto de quê, ô Cebola?

Muita calma nessa hora.

- Deixa queto.

- Não não. Fala aí. Que porra de foto que você tirava?

Respira. Um, dois. Respira.

- Não quero falar. Deixa pra lá, certo?

- Não, fala que porra de foto você tirava.

- Eu tirava foto na G Magazine.

É a vida.

Armando e Celinho ficam em silêncio olhando Cebola constrangido. Os dois começam a rir como se tivessem vendo um filme do Jerry Lewis. Melhor: o Mussum sambando vestido de frango.

- Hahahahaha! Incrível, Celinho, o cara tirava foto de bago de negão!

- Você tinha que ajeitar os pentelhos dos caras antes de tirar fotinho, hahahahaha!

- Hehehe, falou seus trouxas.

- Falou, Cebola!

Babacas.

Um sorriso nos olhos quando sai do bar.

O dia está bom; meio nublado, uns dezoito graus, mas não está frio, frio. O suficiente para usar uma malha ou jaqueta. É dela que, andando na rua, Cebola tira o maço de notas e joga numa lixeira de rua. É dela também que ele pega o celular e liga para o Fefo.

- Alô, Fefo? Certo cara, aqui é o Adriano. Certo, tudo feito. Você me deve duzentos mangos mais a minha parte. Claro que deu, sempre dá certo essa história do carro. Os caras ficaram tão ligados que nem conferiram o bagulho. Não não! O bagulho era bom, quando eles perceberem vai ser num banco ou num mercado, eles vão se fuder, e que se fodam, não é verdade? Haha. Falou, Fefo, até mais. Abraço.

Um fanfarrão esse Adriano.

Amai ao próximo como a ti mesmo

24 March, 2008

Não se fazem mais camisas Pólo como antigamente. O pai do Bruno ficou ficou ridículo nesse negócio. Duas listras horizontais na altura do peito e um pouco em cima um bordado de um pato bebendo água. O pai dele parece um otário com essa camisa de tiozão.

O Bruno conta de novo a piada do Gatorade. “Sabe o que é um ponto rosa na geladeira? Um GAYtorade! Hahahaha!”. O pai ri que nem um tonto mostrando os dentes amarelos disformes como o Stonehenge. Aposto que tá pensando ‘como meu filho é pimpão’.

Puta que o pariu: a carne tá uma merda. Exagerou no molho agridoce hein dona Perua?!Todo mundo ri. Por que a gente não experimenta um prato novo? Eu pego a faca e ranco um pedaço da coxa da mãe do Bruno, coloco um pouco de mostarda escura, sal. Coloco o alho para dourar na frigideira com azeita extra virgem, depois taco o bifão. A gordura se desmancha, faz a vez de manteiga e o bife fica bem suave e suculento.

Todo mundo ri. Até o Bruno, esse viado, nerd do caralho. Coitado, com um pai otário desse e uma mãe perua, não dá pra ser outra coisa. Ele até que é gente boa se você pensar bem. Eu é que talvez precise de aspirina. É aspirina que cura tudo?

- Tá boa a carne?

- Uma delícia, dona Cecília. 

O insone

6 March, 2008

Duas e dez. 

Merda. Eu vou explodir! 

Movimento. Estava de jeans e jaqueta. Andou até aqui e deu uma baforada na minha cara. Tirou a máscara e era meu maior pesadelo, meu vilão. “Ben maldito!”. Só penso em travesseiros e problemas. É a merda da Internet que cortaram de novo, é a porra do meu editor me ligando querendo o desenho, o dentista remarcando consulta porque o filho quebrou o pé, a vizinha de baixo batendo a vassoura no teto porque eu ando em casa, o zelador “não pode andar sem camisa no prédio”, a geladeira fedendo de comida passada (eu tenho dó de jogar comida fora; a Marlene, minha empregada, não; minha namorada também, não. Elas que joguem então. Foda-se), meu livro que empacou no capítulo três e dois quartos (um rapaz que não consegue paz na metrópole; não é original; mas afinal, o que é?), aquele beleza de mulher, a Nívea, a linda, a brilhante, a reluzente, a gostosa. Não paro de pensar nela. E no travesseiro. E no meu próximo livro que vou começar depois desse (vai ser uma história policial sobre um cara que tem que descobrir um assassinato; não é original, mas afinal, quem disse que tem que ser?). Se eu pudesse deitar num travesseiro agora e limpar a mente, aparecer um branco, nada mais, só um branco, um fundo branco. Por que eu fui ver o novo episódio de Lost logo hoje? Eu posso não ver e ficar tranqüilo, agora eu quero saber o que acontece. Acontece? Um fundo branco, só quero um fundo branco. Um travesseiro e um fundo branco. Movimento. Sem Nívea, comida podre, Lost ou livro (meu próximo livro vai ser um Zé Mané que se apaixona pela mulher mais linda da empresa e resolve que ela só fica com ele e mais ninguém). Travesseiro e fundo branco. Foda-se a internet. Travesseiro e fundo branco. Branco. 

Explodo. 

Duas e quinze.

Sorte de Orkut I: “A sorte destinada a você será cobiçada pelo próximo”.

3 March, 2008

          Saí com os amigos para uma balada no centro. Bebi demais, muito muito muito, o mundo girava, as pernas cambaleavam, os braços estavam moles. Vi uma garota passando, achei interessante, uma beleza diferente, demais até pro meu gosto, porém ela estava sozinha. Que sorte! Sozinha a esta hora da noite. Fui até ela e dei-lhe um beijo daqueles de cinema, de apaixonar qualquer garota solitária. Olhei pra ela e reparei que ou estava vendo tudo embaçado ou ela era tão bonita quanto um orangotango tailandês. Meu Deus! Que horror! Um camarada bem mais bêbado do que eu quis tirá-la de mim na marra e, como aquelas coisas que ninguém entende, eu não deixei. Começamos a nos digladiar pelo amor de uma baranga cujo bafo de cachaça e a cara de jaca mantiveram-na solitária durante toda a balada. Meu adversário me jogou no chão, e levantei para dar-lhe um soco, mas errei… Pá! Levei um no olho, caí no chão. Perdi minha boa ventura para um brutamontes otário. No outro dia, se eu encontrasse o dito cujo, não saberia se lhe mataria ou agradeceria pela sorte do olho roxo. Só sei que a feiosa ficou com sua auto-estima no paraíso com a sorte de encontrar dois trouxas que duelaram por sua incomensurável beleza.