Archive for the 'literatura' Category

The Road

14 February, 2009

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“They passed through the city at noon of the day following. He kept the pistol to hand on the folded tarp on the top pf the cart. He kept the boy close to his side. the city was mostly burned. No sign of life. Cars in the street caked with ash, everything covered with ash and dust. Fossil tracks in the dried sludge. A corpse in a doorway dried to leather. Grimacing at the day. He pulled the boy closer. Just remember that the things you put into your head are there forever, he said. You might want to think about that.

You forget some things, dont you?

Yes. You forget what you want to remember and you remember what you want to forget.”

O último romance de Cormac McCarthy, autor do livro “No Country for Old Men” adaptado para o cinema pelos irmãos Coen, é tão pós-apocalíptico quanto “No Country…” e flerta um pouco com um universo meio Mad Max, meio “Ensaio sobre a Cegueira”. Vale a pena uma visita. McCarthy é considerado um dos grandes escritores americanos surgidos nos anos 80 e é frequentemente comprado a Faulkner.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…

15 November, 2008

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança;

Todo o mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.

 

Continuamente vemos novidades,

Diferentes em tudo da esperança;

Do mal ficam as mágoas na lembrança,

E do bem, se algum houve, as saudades.

 

O tempo cobre o chão de verde manto,

Que já coberto foi de neve fria,

E em mim converte em choro o doce canto.

 

E, afora este mudar-se cada dia,

Outra mudança faz de maior espanto:

Que não se muda já como soía.

 

Luis Vaz de Camões

Um dia

18 October, 2008

Eu sofro como o sol do dia

que nasce tímido

dolorosamente invadindo

a madrugada fria

e,no fim, purpureo,

melancólico se põe

deixando-se entrar na escuridão.

O conto da montanha

16 October, 2008

Eu subi a montanha. Não foi nada fácil chegar no topo: dias de esforço e superação dos limites. Mas a sensação aqui é boa. De um lado, vejo um vilarejo próximo, bem pequeno daqui de cima; de outro, um abismo que dá numa floresta densa, com belas copas formando um mar verde e selvagem. O ar é puro, mas não ligo tanto para a pureza numa hora dessas. Ando em direção ao imenso mar verde, atraído , rememorando tudo que me fez chegar aqui. Estou aqui para isso. Pulo. Mergulho no profundo oceano de folhas.

Mas acordo. E se acordo, deveria ver o paraíso, mas não: vejo árvores, terra, montanha, vilarejo. Incapaz de entender o que aconteceu, eu faço a única coisa que me restou. Subo tudo novamente, refaço o infinito trajeto esperando o dia que, acordando, não veja árvores, terra, montanha e vilarejo.

Recado ao Ronaldo

7 July, 2008

Querido Ronaldo (ex-)Fenômeno:

Recomendo a leitura do conto Dia dos Namorados” do livro Feliz Ano Novo de Rubem Fonseca, uma das primeiras aparições do advogado Paulo Mandrake no universo do escritor mineiro. Talvez tenha faltado um personagem desses em sua vida.

Atenciosamente,

Raul Arthuso

PS: Ah! Recomende a leitura para o seu empresártio também.

O Ano do Universo

1 July, 2008

Achei interessante esse negócio: se a história do Universo fosse um ano a começar do Big-Bang e terminando no ano 2000, veja como estariam os principais fatos dessa existência distribuídos no calendário:

 

1º de janeiro: Big Bang

1º de maio: Origem da Via Láctea

9 de setembro: Origem do sistema solar

14 de setembro: Formação da Terra

25 de setembro: Primeira vida na Terra

15 de novembro: Origem das primeiras células com núcleo

17 de dezembro: Desenvolvimento dos invertebrados

19 de dezembro: Origem dos primeiros vertebrados

26 de dezembro: Surgem os primeiros mamíferos

28 de dezembro: Extinção dos dinossauros

31 de dezembro 13h30: Origem dos ancestrais pré-históricos do homem

31 de dezembro 22h30: Primeiros humanos

31 de dezembro 23h59min20: Invenção da agricultura

31 de dezembro 23h59min51: Origem da escrita

31 de dezembro 23h59min56: Nascimento de Cristo

31 de dezembro 23h59min59: Renascimento na Europa

Últimos instantes de 31 de dezembro: Século XX

 

Fonte: BRODY, David Eliot & Arnold R. Brody. As sete maiores descobertas científicas da história. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

Crime e Castigo

10 May, 2008

crime e castigo

O que mais me agrada em Crime e Castigo é a capacidade de Dostoiévski de segurar o leitor na palma da mão. Quando quer, ele acelera a ação; por outro lado torna a escrita mais dura e lenta quando convém. É uma obra competente no sentido mais simples da coisa: Dostoiévski tem total domínio do que está fazendo. Não é pura “inspiração”; é um rigoroso tratamento estético aliado à capacidade técnica. Não poderia dar em outra coisa que não uma obra-prima da literatura.

Algo que é importante de se notar é o cuidado que Dostoiévski tem em não perder o leitor. O autor sempre retoma os temas de maneira sutil, repete os dados sempre com elegância, como quem dá um aviso, sem fazer grande alarde. Tem-se que levar em conta que à época do lançamento o folhetim era a forma básica de publicação de um livro. Mesmo com esse dado, percebe-se como Dostoiévski estava precoupado em não apenas compôr uma obra de importância estética, mas também de capacidade de ser lido, compreendido, acompanhado. Ele é daqueles autores que inicia uma viagem e chama o leitor como acompanhante, andando com ele de mãos dadas. Dostoiévski pode ser classificado como um verdadeiro artista, seja lá qual for a época.

Poder

10 May, 2008

Se eu tivesse poder

se eu pudesse mandar

se eu pudesse matar

eu mudaria o mundo?

 

O sol se põe avermelhado no horizonte

a coruja se posta atenta na árvore

os portões se trancam de medo

e se eu tivesse a chave

eu iria mudar o mundo?

 

As pessoas bebem e comungam no bar

os padres rezam e erram no mosteiro

os pobres sofrem e roubam em casa

os bandidos fumam e legislam nas ruas

os deputados brigam e brindam no planalto

e se eu tivesse uma arma com a chave de tudo

que mundo eu iria mudar?

Rumor

7 May, 2008

- Deve ter micro-pênis… – disse Nelson a Caio ao verem a mulher mais linda do mundo sair do vagão do metrô onde eles estavam.

Amai ao próximo como a ti mesmo

24 March, 2008

Não se fazem mais camisas Pólo como antigamente. O pai do Bruno ficou ficou ridículo nesse negócio. Duas listras horizontais na altura do peito e um pouco em cima um bordado de um pato bebendo água. O pai dele parece um otário com essa camisa de tiozão.

O Bruno conta de novo a piada do Gatorade. “Sabe o que é um ponto rosa na geladeira? Um GAYtorade! Hahahaha!”. O pai ri que nem um tonto mostrando os dentes amarelos disformes como o Stonehenge. Aposto que tá pensando ‘como meu filho é pimpão’.

Puta que o pariu: a carne tá uma merda. Exagerou no molho agridoce hein dona Perua?!Todo mundo ri. Por que a gente não experimenta um prato novo? Eu pego a faca e ranco um pedaço da coxa da mãe do Bruno, coloco um pouco de mostarda escura, sal. Coloco o alho para dourar na frigideira com azeita extra virgem, depois taco o bifão. A gordura se desmancha, faz a vez de manteiga e o bife fica bem suave e suculento.

Todo mundo ri. Até o Bruno, esse viado, nerd do caralho. Coitado, com um pai otário desse e uma mãe perua, não dá pra ser outra coisa. Ele até que é gente boa se você pensar bem. Eu é que talvez precise de aspirina. É aspirina que cura tudo?

- Tá boa a carne?

- Uma delícia, dona Cecília.