Anselmo Duarte morreu neste madrugada.
E apesar de ser momento de sentimentalismos, não podemos perder o senso crítico por inteiro.
Anselmo foi injustiçado por parte da jovem crítica que não enguliu um galã da Vera Cruz e da chanchada (ou seja, do velho cinema) fosse premiado, em sua “aventura” como diretor, com a Palma de Ouro em Cannes, num júri que tinha como presidente o cineasta François Truffaut.
Essa momento chave do cinema brasileiro pesou pelo resto da vida de Anselmo, que depois ficou apenas como diretor. Errou muito e nunca fez propriamente uma obra-prima. O Pagador de Promessas e Absolutamente Certo são bons filmes, corretos, sem excessos, agradáveis, filmes para se ver com gosto, sem dúvida.
Fora isso, teve um trabalho como ator dos mais importantes em diversidade e longevidade: fez Tico-Tico no Fubá pela Vera Cruz, foi o galã de Aviso aos Navegantes, o policial sanguinário de O Caso dos Irmãos Naves e apareceu como Sampaio Barroso em Brasa Adormecida.
Uma coisa impressionante é que nos últimos anos redescobriram Darlene Glória, Paulo César Peréio, Jece Valadão (todos apareceram em filmes recentes), mas Anselmo Duarte ficou de canto. Seria ainda resquício do ressentimento por O Pagador…?
De qualquer maneira, não se pode esquecer que ele dirigiu o único longa brasileiro laureado com a Palma de Ouro em Cannes.

Digamos que a missão não será fácil. Esse cara é um Neanderthal moderno e ainda por cima é russo. Ou seja, a sede de sangue faz parte de seu código genético.





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