Ontem fui ao primeiro show da Madonna em São Paulo de sua nova turnê. A Madonna manda bem, sabe tudo sobre um show pop, canta, dança, dá espetáculo e diverte. Mas daqui a pouco falamos do show em si; vamos da capo.
O longo atraso do início do show é injustificável. Sério. Eu sei que a estrutura do show é grande, que tem muitos detalhes, mas duas horas de espera em pé, apertado por um bando de fãs malucos (eu cometi o erro de ficar na frente no início do show) e ainda pagar R$150,00 por isso é demais. Colocar o Paul Oakenfold para fazer uma “abertura” só piorou as coisas. Ele é bom de remix, inegavelmente, mas não é um cara de show. Depois da terceira música tudo já se torna muito chato. Quando ele finalmente terminou de tocar (lá pelas 20h50), o público estava impaciente, dando tchauzinho pra ele e gritando “Madonna”. Mais uma hora e dez de espera e o cansaço, a sede (a água era três reais, passou para quatro e na hora show era vendida a cinco reais o copinho!).
Foi muito aperto, os fãs das primeiras fileiras enlouquecidos querendo ver a Madonna, apertando todo mundo e sinceramente, curtindo muito pouco, pois mal havia espaço para dançar. Nem o telão dava para ver (quanto mais a Madonna). Foi quando me afastei. Mais atrás dava par ver o palco uma pouco mais mal do que no lugar onde estava, mas o telão estava muito claramente visivel e havia MUITO espaço (mesmo estando lotado) para curtir as música, dançar, pular e se divertir. A partir daí foi só diversão.
Quanto ao show em si, não é algo que vallha 150 reais mais espera de duas horas. Tudo seria mais divertido se fosse 100 reais e meia hora de atraso, mas nem tudo é perfeito.
Madonna tem um puta domínio do palco e não pára de dançar e cantar. A banda é bacana demais, principalmente se pensarmos que é um show de “música eletrônica tocada”. Toda a roupagem e coreografia do show é muito eficiente: algo meio hip-hop e rocker anos 9o, brega mesmo, diria até vulgar de tão brega. Madonna tem consciência de quão brega são algumas coisas de seu show – como por exemplo a luta de boxe em “Die Another Day” ou se esfregar e interagir com a imagem de Justin Timberlake no telão.
O principal de seu novo show é que Madonna fez arranjos para as músicas antigas condizentes com essa estética: “Bordeline” ganha versão punk pop, “Ray of Light” poderia muito bem ser uma versão arranjada por Billy Corgan do Smashing Pumpkins, a versão de “Vogue” caberia perfeitamente em “Hard Candy”, “Like a Prayer” parece saída de “Confessions on a Dance Floor”, “Music” ganhou versão muito mais hip-hop.
Musicalmente, Madonna é consciente de seu papel de rainha do pop e não tem medo de errar (trocar de estética e fazer “Hard Candy” após o ótimo “Confessions…” é a prova disso). Ela é uma experimentadora: erra pela ousadia. Como espetáculo, Madonna prova que ser um astro pop é muito mais que aparecer nas páginas de fofocas (mas que faz parte faz….).
Poptica nº2





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