A Elegância de Woody Allen

Está acontecendo a mostra “A Elegância de Woody Allen” no CCBB e, com isso, dá para acompanhar em película todos os filmes desse profílico cineasta.

Nunca vi tanto Allen quanto nesta semana. Resolvi acompanhar os que nunca vi e convenientemente rever outros que gosto muito ou que não lembro tanto.

Apesar de ter estabelecido esse critério, já furei ao rever O Sonho de Cassandra que não está entre os preferidos e lembrava bem. É talvez o único filme de Woody Allen que dividiu a crítica. Entende-se: tem um pouco de repetição de coisas já abordadas em Crimes e Pecados e Match Point, a saber: a necessidade/inevitabilidade do crime, a questão da culpa e o lado patético de tentar tranquilizar a consciência; o impulso de misturar comédia e drama (talvez a grande questão do cinema de Allen), uma busca pela metafísica bergmaniana.

Mas há algo sombrio na mistura do drama com comédia, principalmente quando aborda o impoderável que rodeia a vida do personagem de Colin Farrell. É um filme imperfeito e automático em alguns momentos. Ainda assim, é mais interessante que a maioria de seus filmes da virada do século.

Vamos ao filmes:

Poucas e Boas (Sweet and Lowdown, 1999)

Woody Allen faz um conto sobre um mito. Um mito do jazz. Portanto, duas de suas paixões juntas. Talvez por isso haja uma alegria interessante, representada principalmente na fotografia: é o mais colorido dos filmes de Allen. Esta alegria se incorpora na forma do filme, para o bem de todos.

Manhattan (1979)

O amor pelo seu mundo. Um conto poético em P&B e cinemascope. Há um humor melancólico, uma inocência perdida e uma tristeza inerente ao ser urbano. Um dos grandes filmes no qual os personagens e o meio se fundem na tela.

O Sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream, 2007)

Crime, culpa, necessidade, inevitabilidade. Há a interessante presença do imponderável como elemento dramático. Mas tem a insuportável trilha de Philip Glass, colocando o filme um tom acima do que devia.

Um Misterioso Assassinato em Manhattan (Manhattan Murder Mystery, 1993)

Cheio de câmeras na mão e boas idéias. Na parte final tem uma queda inexplicável e vertiginosa, com direito a uma piadinha discutivel ainda que bem realizada com A Dama de Shangai de Orson Welles.

Bananas (1971)

Um dos primeiros filmes de Allen e pode surpreender quem não conhece sua primeira fase. Ele não perde a piada. Acaba ficando um filme de esquetes meio a la Monty Python. Seu humor aqui aposta no absurdo das situações e no lado físico. Não há descanso para o espectador: metralhadora de piadas em ação.

Dirigindo no Escuro (Hollywood Ending, 2002)

A premissa é ótima, mas o desenvolvimento é muito desigual e cai bastante perto do fim. Contudo, tem um happy end falso (ao qual o título original se refere) que é a grande piada de Allen no início desse século, talvez um dos grandes finais artificiais do cinema.

Neblinas e Sombras (Shadows and Fog, 1992)

Um homenagem a Kafka e ao expressionismo alemão. Grande trabalho plástico e de iluminação de Carlo di Palma com um roteiro que oscila muito. Talvez fosse o caso de apostar mais na incorporação do lado kafkaniano à dramaturgia e menos no rigor da fotografia, inegavelmente linda.

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