Hotel Atlântico

À primeira vista, o novo filme de Suzana Amaral, Hotel Atlântico, possui alguns traços lynchianos, no sentido que o mundo que rodeia o personagem principal é recheado de estranhezas.

Um ator sai de seu hotel e viaja sem rumo até o sul do país. Encontra, nesse trajeto, personagens peculiares. Suzana Amaral mantém, ainda assim, um forte naturalismo em sua encenação: em nenhum momento foge de uma certa sobriedade da câmera, o que permite à diretora mostrar sua elegância e segurança no uso da linguagem.

Este domínio do ofício por Suzana Amaral não esconde a construção do esquema de Hotel Atlântico. O laconismo do personagem é uma maneira de inserir o filme dentro de um certo cinema contemporâneo que investiga o silêncio das personagens, o laconismo, o protagonista passivo, observador; o toque lynchano das personagens secundárias visam colorir a sobriedade sem limites do olhar do protagonista.

Fora isso, tudo é extremamente simbólico – a começar pela própria viagem em si, que aproxima o filme da categoria de road movie, culminando com a velha simbologia do mar – o que deixa o filme com uma ligeira camada de poeira.

Esta conjunção de fatores parece maquilar o vazio de ideias do filme. Uma obra que, de início, se coloca como aberta a investigar um olhar moderno, se mostra no balanço geral cheia de símbolos e poucos significados.

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