É Proibido Fumar

O novo filme de Anna Muylaert sofre do mesmo problema que Durval Discos, seu filme de estréia: é uma comédia que não é comédia, um drama que não é drama, um mistério que não tem mistério.

Pode-se pensar que ela tenta fazer um anti-filme de gênero(s), mas não acredito ser o caso, pois não é que o cânone seja aqui subvertido. Ele simplesmente não acontece.Ou seja, é um filme para ser tudo e nada ao mesmo tempo. Parece uma contradição, mas é um filme cheio de recheio que faltam coisas: pulsão, olhar, sensações, formas. Só tangencia o universo mostrado na tela.

Muylaert mantém certa distância das personagens para poder jogar com elas. Alguns críticos dizem que ela preenche essa distância com um olhar carinhoso, cômico, doce. Eu acho que aí só tem distância.

As situações propostas são interessantes, mas nunca o espectador é levado para o centro das sensações. Tudo é interrompido, mostrado pela metade, como deixa claro a pavorosa cena de sexo entre Baby e Max.

As lacunas só não desmantelam tudo porque Glória Pires e Paulo Miklos seguram bem, juntos na tela. E o final é uma idéia tão forte para um filme tão amoado…

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