O Amor Segundo B. Schianberg

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Nunca vi história de um casal narrada de maneira tão boçal quanto esta do novo filme de Beto Brant (tirado de sua série televisiva homônima).

O que salta aos olhos é a precariedade das coisas. Isso desvia o olhar das precariedades de idéias: as elipses sem propósito, as palavras escritas na tela sem propósito, os diálogos discursivos sem propósito, a filosofia pseudo-alguma-coisa – olha só – sem propósito. Não é um filme amador na imagem (isso parece o único aspecto realmente bem pensado do filme); é amador de pretensões.

Brant parece almejar a alta cultura desde Crime Delicado. Em alguns momentos é bem efetivo e interessante; aqui é risível. É o típico caso do cineasta que pensa ser capaz de encenar a vida através de conceitos (psicanalíticos e/ou filosóficos e/ou artísticos-estéticos). O problema é que a vida é o parâmetro para os conceitos e, portanto, não pode ser esquadrinhada por eles. A arte nunca será maior que a vida.

Pode-se discutir que Brant tenta escancarar este aspecto arte/vida e a incapacidade da primeira em reproduzir a segunda. Isso é dado recalcado; Brant quer se enquadrar na Alta Arte e não atinge nem arte nem pulsão de vida.

***

O filme levanta outra questão: por que alguns realizadores acham que as experiências de artistas para com a vida são mais intensas que a dos meros mortais?

Em …Schianberg temos uma videoartista e um ator. Contudo, não estamos no terreno da metalinguagem. Eles são pessoas comuns; mas não são: são artistas.

Como se ser artista colocasse alguém num nível de possibilidades maior que um padeiro, uma lavadeira, uma escriturária.

Isso é o que é discutível no filme: ele valora as experiências pessoais entre sensibilidades por requisitos imprecisos. Os protagonistas-artistas estão em um “plano de sensibilidade” maior para com a vida. Por qual razão? A única explicação é que são artistas e tem um sentido mais aguçado para isso. Tem mesmo?

***

Mas a pergunta que não quer calar é: onde está o Beto Brant de Ação entre amigos, Os matadores e, principalmente, O invasor?

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