Educação (Lone Scherfig, 09)

Em Educação tudo parece remeter a um filme dos anos 40: a comédia romântica às antigas, a história de conto de fadas meio à MGM, a protagonista com seu toque Audrey Hepburn, o encantamento desta com a Paris romântica como na antiga Hollywood.

Mas aqui se trata de um filme inglês independente com roteiro do hype Nick Hornby e direção da dinamarquesa Lone Scherfig, cuja obra mais famosa é Italiano para Principiantes, feito dentro das regras do Dogma 95.

Essa dualidade está sublinhada na tela. O filme transita entre momentos de força moderna no retrato de Jenny em sua crise de adolescência com seu novo amor e algumas cafonices como o retrato por vezes simplista dos pais de Jenny e dos amigos de David (que tem uma graça a la Hornby e só), além da trama sobre a revelação de quem ele realmente é e seu desfecho extremamente empoeirado.

Ainda assim, Scherfig consegue trabalhar a expectativa do público sobre esses momentos codificados da comédia romântica clássica. Fica clara a influência dos filmes protagonizados por Audrey Hepburn: o encantamento com viagens e descobertas, a dualidade inocência/esperteza, Paris, jóias, figurinos e penteados.

Falta, contudo, força a Scherfig de ir mais longe. Ela parece querer fazer uma tragédia num certo momentos, mas abranda as sensações de dor e perda. Depois temos um pequeno capítulo de superação que mais parece um clipe o que impede sentir uma elevação ou a força de sua protagonista. Chega-se a pensar que a visão masculina do roteirista se sobrepôs ao olhar feminino da diretora: afinal, vemos com clareza e graça a armadilha que a vida apronta para Jenny dando a David um retrato tão poderoso e simpático. Porém, depois da queda de Jenny, a superação é tão banal e automática, rala como uma sopinha…

Enfim, parece que Educação não é um filme que se proponha a extrapolar a grandes limites. Tem, entretanto, o mérito de usar a fotogênia, a graça e simpatia de Carey Mulligan e Peter Sarsgaard para trazer à tona diversos significados cinefílicos e deixar a narrativa fluir. Parece um mérito bobo, mas quando bem realizado tem grande efeito.

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