E o Oscar 2010…

A escolha da Academia em premiar Kathryn Bigelow e seu Guerra ao Terror ao invés blockbuster Avatar de James Cameron passa uma mensagem clara ao mundo. Passa?

Primeiro é preciso relembrar para quem não sabe que o Oscar é o momento dos membros da indústria celebrarem os seus pares. A reação da platéia aos prêmios de Jeff Bridges e Sandra Bullock deixaram exatamente essa impressão (não que nenhum deles merecessem).

Bridges é um baita de um ator com grandes momentos ao longo da carreira e algumas injustiças do prêmio da academia. Este ano ele é agraciado também por tudo que já fez na carreira. Já Sandra Bullock é a operário padrão queridinha dos companheiros que vence pelo que talvez seja sua única chance de receber o prêmio. Por isso, a simpatia dos colegas e os aplausos de pé, as homenagens ao lado humano dos vencedores, o tempo maior para os discursos.

Isso é o Oscar; repito: um momento para os membros da indústria celebrarem os seus companheiros de trabalho.

É claro que às vezes vem uma mensagem da indústria através dos prêmios. Mas as indicações dizem muito mais de vez em quando. Lembro, por exemplo, a indicação de direção para David Lynch por Cidade dos Sonhos. Ele não ganharia, mas sua indicação vale o reconhecimento da importância de seu cinema pelos colegas.

Este ano, o mesmo número de indicações para Guerra ao Terror e Avatar significa muito mais que quem ganharia. Talvez a indústria queira manter os dois tipos de “grandeza” dos filmes vivos. “Pequenos e gigantes; precisamos deles”.

Todo ano o Oscar tem “questões urgentes” a responder. Este ano, Bigelow caía como uma luva: a primeira mulher a vencer o prêmio de direção por um filme que não tem a classificação “filme de mulher” e todos os seus cacoetes. A Academia se mostra aberta à mulheres e homens atrás das câmeras, filmes pequenos (Guerra ao Terror, Preciosa) e também à autoria (Bastardos Inglórios; Um Homem Sério, que não ganhou mas estava lá). Fora isso, James Cameron já teve seu momento de reconhecimento com Titanic e Avatar bateu recordes de bilheteria. Ele não precisava desse prêmio.

Em resumo: a vitória de Guerra ao Terror em detrimento de Avatar carrega uma mensagem sobre o que a indústria pensa do 3-D, dos filmes de grande orçamento e o que pensa ser o cinema ideal a ela? Talvez sim, provavelmente não.

Possivelmente os “funcionários” de Hollywood não estejam convencidos do 3-D em termos narrativos (o que eu duvido), mas a premiação ontem talvez não signifique nada. A premiação é circunstancial e ontem foi a vez de Bigelow e seu filme. Um dia será de Jason Reitman, outro dia será de Tarantino, quem sabe um dia será de Cameron de novo.

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