Avatar (James Cameron, 09)

Analisar Avatar é tarefa mais complicada do que parece.

Isso porque claramente se trata de um filme de tecnologia de transição e não da pedra fundamental da nova tecnologia. Parece um Melodia da Broadway do 3D.

As fragilidades do roteiro e algumas de suas idéias de agenda estão escancaradas.

Mas James Cameron nunca foi um grande roteirista no sentido de criar histórias com camadas ou reviravoltas interessantes. Todos as suas histórias são simples e funcionais, a grande excessão que confirma a regra sendo True Lies.

O interessante de seus filmes sempre foi a capacidade do Cameron-diretor de criar ícones fortes a partir de variadas referências. O grande exemplo é o Exterminador do Futuro que é uma mistura de ficção científica, robótica (na época em expansão), cyberpunk e filme noir – a boate onde o exterminador encontra Sarah Connor pela primeira vez tem o sugestivo nome de Technonoir. Já o segundo filme é uma aventura modernizada, um filme que poderia muito bem ser protagonizado por John Wayne, Gary Cooper ou Cary Grant.

Seu potencial sempre esteve na direção da ação, da plasticidade da imagem tecnológica, o físico e o movimento enquanto narrativa.

Não se pode, apesar disso, dizer que Avatar é o que historicamente se classifica como um grande filme. Contudo, Avatar É um grande filme. Não em números, mas em vontade e pulsão que somadas a todas as possibilidades de uma tecnologia ainda em expansão resulta em espetáculo, algo tão inerente ao cinema que às vezes se esquecesse que ele pode ser puro e simples assim.

Não é o espetáculo vazio de um Cecil B. DeMille. Este pensava em números e grandeza. Cameron, por mais que tenha números e grandeza, pensa em imagens e sons.

Avatar é o deslumbre do espetáculo explorado ao seu limite, uma série de peripécias aristotélicas focalizadas no nível do sensível que a imagem 3D possibilita. É como um circo. Os números circenses se desenrolam para impressionar a audiência de forma a deixá-los boquiabertos. Avatar impressiona e propõe isso como experiência. Seu protagonista vive uma espécie de “mundo em 3D” quando está em seu avatar (inclusive, deseja trocar seu mundo real por uma nova vida como Na’vi). Cameron pede uma espécie de mergulho (ou seria um voo?) em sua proposta de espetáculo.

Como efeito colateral, deixa suas fragilidades expostas.

Se Avatar vai sobreviver como filme ou apenas como dado histórico é um mistério, talvez tão grande quanto saber se o trapezista voltará ao picadeiro.

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