Excessões

Se eu fosse você 2

O novo editorial da Revista Cinética dedica-se a explicar a abordagem da safra 2009/2010 de curtas-metragens pela revista neste mês.

Uma das razões foi o desânimo com os filmes de longa-metragem lançados em circuito ao longo de 2009 (segundo os editores, apenas Moscou mobilizou a revista).

De fato, 2009 é um ano a ser pensado dentro da história recente do cinema brasileiro. Foi comparado, em números (bilheteria, dinheiro), a 2003, ano auge de bilheteria da retomada (talvez o último ano de retomada?). A Cinética fala em “excessão”.

A grande diferença entre 2003 e 2009 está no que foram os “sucessos de bilheteria”. Enquanto as maiores bilheterias de 2003 me parecem filmes populares em busca de algum formato comercialmente viável, 2009 foi o ano das comédias televisivas capitaneadas pela Globo. Traduzindo: o cinema comercial de 2009 é um subproduto da televisão, ainda que não o seja nominalmente. Nesse sentido, o cinema comercial brasileiro se conformou em seis anos.

A mulher invisível

Assim como nestes mesmos seis anos, o cinema brasileiro como um todo parece mais conformado.

Para esclarecer as coisas: o que chamo de conformação é um estado em que a cinematografia parece indisposta, ou melhor, impotente ao diálogo.

O cinema brasileiro de modo geral (ampliemos ao audiovisual como um todo?) parece hoje incapaz de propôr questões relevantes ao seu tempo, ao seu espaço, à sua realidade, incapaz de transformar as experiências de seu mundo em arte. O diálogo fica, então, atado.

Não acho que seja uma questão simplesmente de números de bilheteria ou reconhecimento em festivais internacionais. Trata-se de algo menos palpável, ou ainda, o cinema em si. Os filmes parecem na maioria das vezes atos de ocasião. O exercício de realizá-los ficou mais importante do que suas propostas estéticas. Estamos em tempos da bravata “todos que realizamos um filme somos vencedores!”.

Como resultado, uma cinematografia estanque que não produz um conjunto de filmes cujas variadas visões se completam e, ainda que imperfeitos, formem uma identidade. O cinema brasileiro hoje tem duas linhas mestras: o espelho da TV e o reboco de cinema d’arte. As duas não se firmam como unidades e teimam em não se misturarem.

Ao vencedor um cacho de bananas.

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