Notas nº1

Como faz tempo que não atualizo, resolvi escrever umas coisinhas para manter este blog ativo. Não que eu acredite que alguém vá sentir tanta falta assim dos textos. Mas é sempre bom manter a cabeça (e os dedos) funcionando.

– Tive uma boa impressão de O Escritor Fantasma. Pretendo escrever sobre ele com calma. Gostei do humor no filme. Há tempos que não via o Polanski assim. O que me agrada é ele ser proveniente do universo ficcional em si e não do gênero: existe uma questão de inadequação da relação Inglaterra/EUA, como se a inversão da lógica metrópole/colônia (hoje os britânicos são colonizados pelos americanos) causasse um estranhamento. É claramente um filme esperto, brinca com o conhecimento da atualidade por parte do espectador, talvez seja até dependente disso um pouco. Como este filme responderá daqui quinze anos?

– Continuo minha jornada na filmografia de John Carpenter e não paro de me surpreender e/ou me divertir. O último foi Starman – O Homem das Estrelas, de 1984, feito logo após Christine – A Máquina Assassina. Que filme(s) saboroso(s)! Acho a atuação do Jeff Bridges meio exagerada em alguns momentos, mas gosto muito de algumas cenas e principalmente a idéia do E.T. que assume a imagem do marido morto da Karen Allen. Carpenter é um cineasta hawksiano: tudo é possível em seus filmes, nunca sabemos onde a fluidez vai nos levar. Isso é o que há de mais prazeroso no cinema.

– História interessante da Cahiers du Cinéma: na edição de março, uma parte da revista foi dedicada a reavaliar o fenômeno Avatar. Pediram ao filósofo Slavoj Zizek que escrevesse um texto (bom, aliás). Na edição de abril, Zizek dá uma entrevista à Cahiers e confessa que não viu o filme (depois ele explica as razões). O mais interessante de tudo é a revista ter mantido a confissão de Zizek. Bom sinal da direção de Délorme: ele parece mais preocupado em abrir horizontes que ditar regras ou tendências. O editorial de maio, por exemplo, compara o Festival de Cannes com a Copa do Mundo. Uma jovialidade – meio inocente até – está tomando conta das páginas da revista.

– Finalmente vão lançar À Prova de Morte. É melhor não cantar vitória antes do tempo, porque tudo pode acontecer: eu só acredito quando estiver na sala. De qualquer maneira, belo filme, um estudo para Bastardos Inglórios.

– Quatro filmes que espero ansiosamente: Os Mercenários, maior elenco da história do cinema, mesmo; Machete, no começo achei que o Robert Rodriguez não entendera a brincadeira dos trailers falsos em Grindhouse, mas agora já acho que esse filme vai dar samba; Besouro Verde, desde já promessa de filme de herói mais autoconsciente de todos os tempo; e, pasmem, Filme Socialismo, novo filme do Godard: não sei a razão, não perguntem o porque (trailers? bilhete misterioso do diretor em Cannes?).

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2 comentários
  1. Arthur disse:

    Recomendo do Carpenter o excelente They Live! que é uma mistura de uma crítica super pesada com personagens meio caricatos e o protagonista mais tosco e incrível já visto. Achei do caralho!

    • Raul Arthuso disse:

      Estou vendo os filmes na ordem cronológica. Já chego lá.

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