Filmes da 34ª Mostra Internacional de Cinema – Parte 2

POESIA, de Lee Chang-dong

O filme de Lee parece acometido de um mal comum a muitos filmes brasileiros ditos “de arte”: uma distância respeitosa e excessivamente carinhosa entre o realizador/câmera e a personagem principal. Este excesso de carinho no olhar muitas vezes deixa o registro uniforme e impede que o realizador possa explorar as camadas da personagem, achar suas contradições, torná-la mais humana. No fundo, trata-se apenas de uma personagem de um filme que pretende-se arte. E, em Poesia,  tudo é muito mal filmado, Lee Chang-dong não sabe onde colocar a câmera, há algo de preguiçoso na composição das cenas. Mas como o filme tem pose, Poesia foi bem aceito pela crítica na França, nos Estados Unidos, no Brasil…

CLEVELAND CONTRA WALL STREET, de Jean-Stéphane Bron

A idéia de fazer um julgamento real apenas no mundo fictício do cinema é um ponto de partida realmente interessante. Às vezes as cartas narrativas parecem repetitivas, mas há um enfrentamento dos limites do documentário e da ficção bem realizado. Resultado consistente para um filme que poderia engessar-se em razão de seu ponto de partida.

FORA DA LEI, de Rachid Bouchareb

Inexplicável que este filme pudesse estar em qualquer mostra competitiva de qualquer festival que se pretende como apontador rumos para o audiovisual em qualquer parte do mundo. Bouchareb faz um épico histórico que sob o ponto de vista da vanguarda é nulo, e se considerarmos sob a égide do cinema clássico, ele é praticamente nulo de tão primário narrativamente. Um equívoco homérico que diz algumas coisas sobre a Competitiva do Festival de Cannes.

A NOSSA VIDA, de Daniele Luchetti

Filme simpático, mas irregular. A história reproduz um caminho óbvio, mas tenta colocar personagens incomuns para dar graça. Só o protagonista, com seu jeito malandro, se salva. Luchetti tenta disfarçar os problemas com câmera na mão, cortes bruscos, repentinos, uma secura plástica da imagem. Mas a alma do filme é tradicional.

MEMÓRIAS DE XANGAI – I WISH I KNEW, de Jia Zhang-ke

Foi dito que Memórias… parece um filme de transição de Jia, e faz sentido essa aproximação, ainda que isto disfarce o medo de dizer que é um filme menor do badalado diretor chinês. Zhang-ke de fato parece mudar a direção de seu cinema, de uma vontade em registrar as transformações de seu país e suas mudanças radicais em direção a um resgate e diálogo entre as imagens e mitologias do audiovisual do passado com as possíveis novas imagens. Acredito que essa mudança já se apontava em 24 City e Memórias… está mais para um filme de impasse, uma obra desajustada em razão do realizador desconhecer os rumos a seguir. Deixa uma curiosidade pelo caminho que o cinema de Jia tomará.

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