Muita Calma Nessa Hora (Felipe Joffly, 10)

Muita Calma Nessa Hora está mais para um desfile de comediantes famosos que para um filme propriamente dito. Sua estrutura se baseia na orquestração das aparições dos “atores convidados” que passam pela tela, às vezes voltando mais uma vez (para não parecer gratuito), outras saindo de cena sem deixar saudade.

Estão aqui nomes do humor brasileiro conhecidos há algum tempo, como Lúcio Mauro e seu filho (o Tuco de A Grande Família), além de uma participação descabida de Sérgio Mallandro; novos “talentos” do humor como Bruno Mazzeo (que capitaneia o filme como co-roteirista) e Marcelo Adnet, com seu jeito de sempre exagerar para ser engraçado, atingindo resultados irregulares; e, claro, nomes conhecidos do humor global advindos do Zorra Total, de onde parecer ter saído boa parte da piadas. A exceção desse tapete vermelho cabe aos gênios do extinto Hermes e Renato, os únicos que aparentemente sabem seu lugar dentro desta orgia de celebridades cômicas e que saem, na medida do possível, ilesos.

A fragmentação do filme em esquetes mal-resolvidos que são costurados porcamente para dar a idéia de um único filme causa um aborrecimento sem tamanho. A montagem é completamente sem critério, o ritmo parece emperrado, o que reforça a sensação de um catadão de cenas. Felipe Joffly parece dirigir com uma câmera na mão, mas sem grandes idéias, pois confia que um procedimento (a câmera na mão) é capaz de disfarçar os problemas narrativos e dar um “estilo” para sua obra.

Mas vamos fazer um exercício especulativo impossível: vamos fingir por um momento que Muita Calma… é bem realizado. O que então é o filme se não uma celebração de idéias pré-fabricadas? A mulher casta que resolve pegar geral, a gostosa que está cansada dos homens, a hippie maluca, o pai desconhecido, a crente, o homossexual, os otários da balada, o paulista playboy (no caso, trata-se de um filme carioca), o argentino com a camisa do Boca Júniors (pois é um filme brasileiro não esqueçamos), o babaca do axé (como alguém pode gostar de algo tão vulgar?), o cara lunático de esquerda – aqui visto como um mendigo – e, claro, o galã que vai abalar a vida das mulheres. Em resumo, para além da vontade tecnicista (mal-resolvida), não há nada.

E mais – ou seria menos? – : para todos os efeitos, Muita Calma Nessa Hora não é engraçado. E esse é o maior pecado para uma comédia.

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