Tura Satana (1935-2011)

Morreu neste fim de semana Tura Satana.

Ela está em dois filmes que adoro: Irma La Douce, de Billy Wilder, e Faster, Pussycat! Kill! Kill!, de Russ Meyer. O papel de Varla neste segundo filme é o mais importante de sua carreira. Um filme Z de exploitation como a maioria dos filmes de Meyer. Um maldito. Um clássico.

Tenho carinho por cineastas como Meyer porque seu talento bruto leva em geral a abordagens diretas dos temas de seu tempo re-elaborando-os a partir de um gênero maldito ou de ação (terror, policial, exploitation). Há uma falta de bloqueios resulta em muito frescor e pouca frescura (o exemplo mais bem acabado é John Carpenter).

Faster, Pussycat! Kill! Kill! me parece uma catárse do maior medo dos homens em 1965: as mulheres mostrarem que, apesar da estigma de sexo frágil, tem força para subjugar os homens e inverter as relações de poder dos gêneros. A gangue das protagonistas dirigem carros em alta velocidade, saem na porrada com os homens e tocam o terror em qualquer um de igual para igual. Nada de obediência e, por outro lado, nada de “mulher-macho”: elas tem peitões e usam seu poder de sedução para atingir seus objetivos.

Tura Satana pode não ser um símbolo sexual nem um ícone feminino dos anos 60, mas bota medo em muito homem que ainda não sacou que 1965 já foi há algum tempo.

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