Três Coisas

1. Até o dia 20 de fevereiro está rolando no CCBB a restropectiva do Luc Moullet. Ele era crítico do Cahiers du Cinéma na virada dos anos 50 para os 60 e se meteu na realização, seguindo a trilha dos jovens turcos. É talvez um dos mais sarcásticos críticos da história e seu cinema manteve essa veia ácida, sob forte influência do cinema B americano. Vale a pena conferir um cineasta que nunca sai nos cinemas por aqui e, até por isso, é pouco comentado, apesar de sua força.

O momento talvez seja bom para reler alguns textos de Moullet no Dicionário de Cinema, site do Luiz Soares Júnior de tradução de alguns textos críticos clássicos. Recomendo: As lixeiras verdes de Gilles Deleuze, um ataque saboroso aos livros de Deleuze sobre cinema, e sua crítica de Onde Começa o Inferno, de Howard Hawks.

 

2. Depois desta retrospectiva de Luc Moullet, começará uma mostra de cinema turco no mesmo CCBB. Minha esperança é que passe muitos filmes do Nuri Bilge Ceylan e possamos finalmente comprovar que o cinema seria uma arte muito melhor se ele fosse economista.

 

3. Duas coisas me lembraram James Cameron. Depois do Super Bowl no domingo, assisti com os amigos Exterminador do Futuro 2. A outra coisa foi falar de Faster, Pussycat! Kill! Kill! E o que tem haver biscoitos e tomates?

É que no fundo James Cameron é dessa linhagem de diretores de filme B, do cinema popular, de gênero. Sua sensibilidade (veja bem a palavra) para lidar com as coisas está muito mais próxima de Carpenter que de Coppola, por exemplo. A grande diferença, e causadora da mudança de rumos de Cameron em relação a seus “parentes”, é que o tremendo sucesso de seus primeiros filmes lhe rendeu grandes orçamentos e passe livre. Paradoxalmente, Cameron é um maldito do sistema, um cara põe na tela formas consideradas menores ou popularescas de cinema com valor de produção do centro da indústria. Mesmo Titanic, no fundo, é obra de um diretor olhando para o cinema popular americano. Sua obra-prima, True Lies, é uma revisão formal do gênero de ação cujo cerne temático é uma discussão do american way of life, combate ao terrorismo e o clima pós-Guerra Fria de uma maneira direta típica dos mais queridos diretores B. É uma comédia temática e formal cheia de consciência sobre o cinema e sua tradição como cultura de massa.

Enfim, Cameron poderia ser um maldito, mas deu errado.

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