Turnê

Tudo bem que há um desejo de “cinema de trupe” por parte de Amalric, mas dizer que Turnê tem algo de Cassavetes é criar um mecanismo automático de crítica só porque Amalric é mais conhecido como ator.

Turnê, na verdade, são dois filmes em um: há o filme que acompanha a trupe de dançarinas neo-burlescas, com os problemas do show em si e o conflito interno de uma das personagens; e há também a história pessoal de Joachim Zand, sua falência, os conflitos com a família e amigos. A principal é a pulsão das duas histórias é sugerir mais que de fato mostrar as coisas, como se as cenas existissem para captar um estado latente das personagens, o que acontece de maneira muito opaca.

Cada um desses dois filmes que compõem Turnê apresentam seus problemas narrativos. Falta a Amalric entrar de cabeça no universo de suas personagens femininas: neste universo feminino (e de feminilidade) o tratamento é mais tenro e não claramente conflituoso, como se fosse proibido algo que não o carinho a essas personagens – daí talvez o gosto pelos planos de pessoas refletindo solitárias. Já para a história de Amalric o tom é o conflito, como se para si mesmo a tensão é que prevalecesse, ou ainda, o espetáculo.

Resulta disso o grande problema de Turnê: essas duas histórias raramente dialogam de fato.

 

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