Diálogo 1

Santiago e O Prisioneiro da Grade de Ferro são bem interessantes quanto às relações de poder na filmagem.

No primeiro, o diretor reflete sobre sua tentativa de fazer um filme documental sobre seu mordomo. Busca entender porque não conseguiu fazê-lo há quinze anos. A relação empregador-empregado vem para primeiro plano e se mistura com a realizador-objeto. Por mais carinho de quem filma, por mais compreensão por parte de quem é filmado, por mais interação, a relação é sempre violentamente mediada pelo interesse de uma ou ambas as partes.

Em Prisioneiro… a questão se põe de outra maneira: o diretor toma as imagens produzidas pelos presos do Carandiru. O espectador não tem idéia do que foi filmado pela equipe profissional e o que o foi pelos presos que participaram das oficinas no presídio (pelo menos não o tempo todo). Assim, o que era a “voz do outro” passa a integrar o discurso do realizador. Este, por sua vez, dá um passo em falso na tentativa de voltar o discurso para o “outro”: dá o subtítulo “auto-retratos” ao filme, quando, na verdade, temos “retratos” ou, ainda, “mosaicos”.

Assim, dois dos mais fortes filmes brasileiros dos últimos anos colocam em questão a imagem tomada pela força do diretor em sua relação com o objeto. Isso não é pouco.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: