Bróder

Bróder está longe de ser um típico favela movie: a violência não está de corpo presente, o Estado aparece brevemente numa sequência ambientada no centro da cidade e não na periferia, sua política não é a denúncia social, mas uma forma de pensar a sobrevivência nesse mundo social. Enfim, não é a pobreza em si o seu tema.

Mas principalmente, Bróder tem uma delicadeza no olhar para a trajetória das personagens diferente do que impera nesse “gênero” e até mesmo na obra em curta-metragem de Jeferson De.

Dois eixos movem o filme: a amizade entre os três personagens principais e a família de Macu (Caio Blat). No filme, a amizade é essencialmente uma relação ética e política envolvendo interesses distintos, muitas vezes conflitantes, por mais que impere o afeto. A família é uma relação essencialmente afetuosa mesmo que as crenças sobre os rumos da vida sejam às vezes opostos, o que gera conflitos. Tudo isso se encontra; é preciso lidar com o fato.

Bróder consegue cruzar esses dois eixos de maneira interessante e sincera, partindo desse microcosmo para retratar formas de subsistência, representadas por cada um dos amigos: sair pelo talento ou pela sorte (o jogador de futebol), sair na marra lutando para sobreviver no centro (o personagem de Guindane) ou ficar e subsistir (Macu).

Ainda que Bróder não seja um filme extraordinário, faltando mais momentos fora do comum, é um filme simpático, nunca desinteressante, o que não é pouco num longa de estréia.

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