Além da Linha Vermelha

Às vezes penso que o termo “filme político” está tão impregnado do ranço de um clichê de denuncismo que parece pecado tachar uma obra assim. Por outro lado, falar em “filme político” pode ser uma afronta ao bom senso, pois me parece impossível que um filme não o seja. Se política é relação, a mise-en-scène nada mais é do que a política do filme. E todo filme tem sua política.

Divago. A idéia era falar de Além da Linha Vermelha, um filme que tem por escolha não ser propriamente “político”, pois desde início o olhar se volta para ao subjetivo, o psicológico, o transcendental. A guerra como horror é dado inicial, ponto pacífico e, por isso, não há a necessidade das decisões de Estado nem das grandes decisões militares serem dramatizadas, mas sim os conflitos das subjetividades dos envolvidos no combate. Assim, há o coronel que busca sua já tardia consagração, o capitão que não quer mandar seus homens para a morte certa, o soldado que quer apenas estar em algum lugar.

Malick é um metafísico: seu olhar nunca é para a carne, mas para a alma. O homem, em seus filmes, não está no mundo a passeio; vive em conflito com a Natureza (assim com maiúscula mesmo). Ela é bela, rica, complexa e, também, inteira, orgânica, perfeita. Ao ser humano resta apenas buscar seu lugar.

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