O Hóspede

O Hóspede é um caso interessante dentro do cinema brasileiro na apropriação do gênero cinematográfico. Alguns realizadores dizem se aproximar de um gênero consagrado sem de fato apropriar-se dele. Esse curta paraibano, ao contrário, o abraça com sinceridade, dialoga abertamente com as referências sem medo de parecer kitsch ou desajustado. É essa entrega ao prazer de filmar o gênero que O Hóspede tem de mais potente. Não se trata de uma paródia, pois há uma verdadeira paixão pelo que se filma – e isso transborda na tela – e se há humor, isso vem da situação das personagens, não da inadequação do filme. Não se ri do filme, mas com o filme, já que as personagens não sabem como lidar com aquela situação.

Essa ligeira diferença só é possível porque a apropriação do gênero está inteligentemente bem construída com o universo da pequena cidade no interior da Paraíba. Convenhamos que só isso já é uma vitória.  À parte essa articulação com o gênero, O Hóspede é mesmo um belo filme.

***

Resolvi escrever esse e outros posts sobre curtas-metragens que vi ou revi no Janela de Cinema do Recife, muito mais pelas questões que eles me despertaram que propriamente pra fazer um texto que dê conta desses filmes. No fundo, acho que só quero falar de curtas, algo que raramente tenho a chance de fazer na Cinética ou por aqui.

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