A Sereia do Mississipi

Li em alguns textos que A Sereia do Mississipi é o filme mais hitchockiano de Truffaut, o que de alguma forma faz sentido se se tomar o tema em primeiro plano: o mistério, o crime, a transferência da culpa, no caso, a culpa que Louis toma para si após descobrir a verdade sobre Julie. Porém, formalmente, o filme é mais maneirista (deixa saltando aos olhos esse desejo de homenagem), talvez o mais maneirista de toda a filmografia de Truffaut. O único elemento formal hitchcockiano claro é a preferência pelo suspense em detrimento da surpresa, mas isso parece corrente dentro do cinema de Truffaut (claro, direto, sentimental). Em Sereia…, falar em suspense é impreciso também, pois se ele existe enquanto modo de aproximação na primeira metade, efetivamente desaparece na segunda metade, quando a relação de Louis e Julie vem para a frente: ele quer ficar com a mulher que o enganou, mas ela quer ter uma vida confortável, algo que parece improvável com Louis. Os dois terão de fugir, se isolar, aumentando a distância deles para seus desejos. Aí, o filme vira um melodrama do amour fou e Hitchcock dá lugar a Minneli.

Visto em 35mm na Cinemateca Brasileira

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