Um verão escaldante

Um verão escaldante traz novamente ao centro o grande tema dos últimos filmes de Philippe Garrel: l’amour fou de um homem, um amor de excessos, de desmedidas, um amor de “revolução ou guerra”, parafraseando o que disse o narrador-personagem Paul ao protagonista Fréderic em dado momento do filme. O que continua a impressionar aqui, como nos grande filmes do diretor francês, é a justeza com a qual ele filma esse sentimento. Há um respeito pelo pathos desse amor, a câmera sempre posicionada a um passo de permitir sua manifestação no espaço, no ritmo do plano, na cadência das palavras.

É interessante notar que os títulos dos filmes de Garrel sempre tendem ao abstrato, ainda que descrevam coisas concretas. Porém, como filmar o som inaudível da guitarra, a cicatriz interior, o nascimento do amor, a fronteira da alvorada? É essa a busca do cinema de Garrel, materializar o que reside para além do interno e no limite do universal. Garrel não se contenta com os cacoetes do “epidérmico”, não faz dos corpos metonímias de sensações; mas sim tenta mostrar as paixões por inteiro, mantém uma distância para captar o clima do entorno. A câmera de Garrel filma o ar, a sensação térmica, uma rajada de vento, um verão seja ele escaldante ou não.

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Cena de Os amantes constantes:

Primeira cena de Les baisers de secours:

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