CAHIERS: Você acaba de falar de O conformista, e, independente de suas qualidades (eu adianto que não o vimos ainda), esse filme traz um problema que é o da posição atual de Bertolucci diante do sistema de produção e distribuição. Bertolucci acredita que é importante fazer filmes no interior das grandes companhias (aí subentendido, possivelmente, as companhias americanas), porque é o único meio de realmente chegar a um grande número de pessoas – sem estar condenado de antemão ao “gueto” do filme de arte… 

DIEGUES: Geralmente se fala em “sair do gueto”, do mundo fechado do filme de arte. Mas não basta dizer “eu quero que meu filme seja visto por muita gente”. Essa “muita gente” não vai às salas de “gueto” porque o sistema acostumou-as a crer que os filmes que passam aí não são para eles. Se você tenta sair do “gueto” fazendo os mesmos filmes, logo você volta. Então, é preciso mudar a maneira de fazer filmes? Eu não sei. No Brasil, nosso problema é inteiramente diferente, porque nossos filmes saem sempre nas mesmas salas que saem todas bobagens do cinema mundial. Então, há uma espécie de escolha no local do espectador. Não há uma rede de filme de arte e eu espero que nunca haja.

Trecho de Entretien avec Carlos Diegues, realizada em outubro de 1970 por Jacques Aumont, Edoardo de Gregorio e Sylvie Pierre, publicada na Cahiers du Cinéma nº 225 novembro-dezembro de 1970 pg. 46.

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