touché…

“Na última década, alguns filmes feitos na cidade de São Paulo – como o díptico de Roberto Moreira (Contra Todos, de 2004, e Quanto Dura o Amor, de 2010), Corpo (2007), de Rubens Rewald e Rossana Foglia, Cabra Cega (2005), de Toni Venturi, Não por Acaso (2007), de Philippe Barcinski, Jogo Subterrâneo (2005), de Roberto Gervitz, Quanto Vale ou é por Quilo? (2005), de Sérgio Bianchi, O Cheiro do Ralo (2007), de Heitor Dhalia, e até mesmo um filme tão despojado como Bróder (2009), de Jefferson D, só para ficar em alguns exemplos paradigmáticos, sofrem de uma rigorosa contenção (e correção) estrutural e asfixia cênica. Trocando em miúdos: apreço demasiado pelo naturalismo, obsessão acentuada por uma “ciência” do roteiro, ordenação de mise en scène dos anos 1930 (rigidez cênica ilustrativa de roteiro) em um controle imobilista e asfixiante, que consiste em uma scène (cena) sem uma lógica de mise en (colocar em). Cenografia sem cena, como escreveu Serge Daney, só que, diferente do cinema clássico, sem um “desejo de mais ver” (atrás, através). O trabalho que antecede as filmagens, mesmo que não garanta controle absoluto, dita de forma muito cerceadora o processo do filme. Há, nesses filmes todos, uma busca de excelência técnica e artística que permite ver as contradições desse modelo de produção, menos pelo que escapa ao controle e mais pela tentativa de apagamento (ou ocultamento) dos problemas oriundos do modo de produção. O aceno da contradição se dá de modo reverso, como refluxo. Dissimulado.”

Essa “contenção estrutural e asfixia cênica” estamos ensinando bem em nossas escolas de cinema. Cada vez mais, os cursos de cinema estão especializados em criar especializados nesse assunto.

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1 comentário
  1. Só falo em “cinema de São Paulo” para dizer que sai da sessão de Riocorrente no último festival de Brasília. Não lembro de ter abandonado uma sala de cinema no meio do filme antes na minha vida, para fazer outra coisa qualquer, simplesmente não estar ali. Cansaço. Escandaloso o português não ter uma expressão para isso (prise de vue), mas um desperdício. São Paulo é uma cidade incrível, uma das poucas do mundo incrivelmente viva, auto-suficiente, excedente. E o problema é exatamente a referência ao mais ver, ao suposto meio-ambiente de fundo, a cidade por trás do muro. Naturalismo tardio de estúdio. Nosso grande modelo televisivo.

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