“a arte é tida como a maior “expressão de sua era”. Aqui em particular, o desenvolvimento da história da arte (e mesmo um livro como este) sem dúvida cumpre seu papel na difusão dessa crença. Não temos todos a sensação, ao virarmos suas páginas, de que um templo grego, um teatro romano, uma catedral gótica ou um arranha-céu moderno “expressam” diferentes mentalidades e simbolizam diferentes tipos de sociedade? Há alguma verdade nessa convicção, se a entendermos simplesmente como referindo-se ao fato de que os gregos não teriam condições de erguer o Rockfeller Center e talvez não quisessem construir Notre-Dame. Com frequência se entende, porém, que as características de sua era, ou o que se chama seu espírito, fatalmente floresceriam no Partenon, que o Período Feudal não poderia deixar de criar catedrais e que nós estamos fadados a erigir arranha-céus. Evidentemente, sob essa óptica, com a qual não concordo, é inútil e tolo não aceitar a arte de cada época. Assim, basta que cada estilo ou experimento seja proclamado “contemporâneo” para que o crítico se sinta na obrigação de compreendê-lo e promovê-lo. Foi graças a essa filosofia da mudança que os críticos perderam a coragem de criticar e tornaram-se, em vez disso, cronistas – e, para justificar sua mudança de atitude, apontam a notória incapacidade dos críticos de gerações anteriores de reconhecer e aceitar a ascensão de novos estilos. Foi sobretudo a recepção hostil aos impressionistas (que mais tarde alcançariam tamanha fama e teriam suas obras vendidas a preços tão altos) em sua primeira exposição, que acarretou essa perda de coragem. Espalhara-se a lenda de que todos os grandes artistas eram sempre objetos de repúdio e escárnio em seu tempo, de modo que o público de hoje agora faz o louvável esforço de não repudiar nem escarnecer de nada. A ideia  de que os artistas representam a vanguarda do futuro, e que seremos nós, e não eles, os que farão papel de bobo caso não os apreciemos, instalou-se ao menos entre uma considerável minoria.”

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