Um pensamento

24 January, 2012

Um trecho que chama a atenção no livro Conversas com Scorsese, recém traduzido e lançado no Brasil:

Richard Schickel – O outro aspecto de suas coleções são os cartazes. São fabulosos. Quando você começou com isso?

Martin Scorsese – Quando eu fazia storyboards em menino, fazia também cartazes e anúncios de cinema. Read the rest of this entry »


Pão e Cinecirco para as Massas

19 January, 2012
Existia o cinema de aventura, depois veio o cinema de ação e agora o cinema-circo.Se James Cameron com Avatar formulou, segundo as regras herméticas alquímicas da tecnologia estereoscópica, o espectáculo cinematográfico circense onde os truques tecnológicos invadem a narrativa para propôr “um novo modo de ver”, Missão Impossível 4 – Protocolo Fantasma é o sucessor mais bem acabado desse conceito de espetáculo (e em duas dimensões!). Read the rest of this entry »

As Lágrimas de Joana d’Arc

18 January, 2012

Em A Paixão de Joana d’Arc, a primeira lágrima que rola pelo rosto de Maria Falconetti, ao lembrar da mãe e sua infância, corre leve, ligeira, sem obstáculos. Ela contém o corpo, o sensível, o material.

A segunda, derramada pelo outro olho ao tratar do contato dela com Deus, escorre hesitante num rosto que de delicado passou a uma firmeza expressiva. Essa contém a alma, o intuitivo, o ser.


O Destemido Senhor da Guerra

15 December, 2011

Outro dia na sessão no CCBB de O Destemido Senhor da Guerra, dirigido e estrelado por Clint Eastwood, um rapaz ficou resmungando durante todo o filme e saiu, ao final da sessão, esbravejando que o filme era uma droga.

Não estava escrito na bula: Clint Eastwood é um conservador.

Acho que o mais incomodou o rapaz (devia ter uns 20 anos) foi a parte da guerra, pois não é um filme anti-guerra, como parece o exigido por tudo que se considere moderno. Aí, então, a guerra começa e os inimigos são… os cubanos! Read the rest of this entry »


No Silêncio da Noite

12 December, 2011

Se tivesse visto No Silêncio da Noite antes, meu filme O Pai Daquele Menino (quem não viu, aguarde – mas sentado!) seria outro filme. Fora os incontáveis problemas fruto da cabacice de estudante de cinema cheio de idiossincrasias – todos temos, mas estudantes de cinema os tem mais que os civis – o filme de Nicholas Ray é outro jeito de olhar com desconfiança para a imagem.

Há, me parece, duas “desconfianças” da imagem cinematográfica. O primeiro é hitchcockiano (Janela Indiscreta, o quase praxis-manifesto), baseado essencialmente no que não se vê, no intervalo de duas imagens. A questão passa a ser então obter outra imagem confirmando – ou não – a desconfiança. O não-visto deve ser visto, para tornar-se a certeza que uma outra imagem (a cinematográfica, criado no decurso e depuracão do tempo) é capaz de trazer. Read the rest of this entry »


Oma

2 December, 2011

Numa dessas conversas à toa em mesa de bar com pessoas do cinema, uma amiga, admiradora do novo filme de Michael Wahrmann, comparava Oma a Santiago de João Moreira Salles. Há uma diferença básica entre os dois filmes – o que não é demérito a nenhum deles.

Santiago está fundamentalmente se reportando ao filme inacabado pelo narrador-personagem no início dos anos 90. Olhando o material anos depois, esse narrador-personagem percebe sua relação com o mordomo da família que aflora no material bruto e que impediu, naquele momento, a concretização do filme. Há, nesse sentido, um mea culpa da relação conflituosa a qual ele não foi capaz de atentar na época. Mas há de fato o filme não-finalizado como um entreposto que impulsionou a revisão de si mesmo proposta pelo narrador-personagem. Read the rest of this entry »


Dona Sônia Pediu uma Arma para seu Vizinho Alcides

30 November, 2011

Dona Sônia é filme de cinema. Para além da força da câmera de Gabriel Martins, o filme existe um pouco pela própria razão de ser do cinema. Pois a vingança da protagonista sai direto das páginas policiais e dos noticiários, onde essa história sangra, pois muitas vezes o interesse reside na explosão do fato, na superfície. O filme de Gabriel Martins, por outro lado,  busca ir além do factual e tatear o universo de Dona Sônia (a personagem), criar personagens complexos, entender o contexto, fazer o espectador sentir o ambiente onde tudo se passa, num certo sentido, viver  um pouco daquilo também. Read the rest of this entry »


O Hóspede

28 November, 2011

O Hóspede é um caso interessante dentro do cinema brasileiro na apropriação do gênero cinematográfico. Alguns realizadores dizem se aproximar de um gênero consagrado sem de fato apropriar-se dele. Esse curta paraibano, ao contrário, o abraça com sinceridade, dialoga abertamente com as referências sem medo de parecer kitsch ou desajustado. Read the rest of this entry »


Festival do Rio

20 October, 2011

Sumi devido ao Festival do Rio. Resolvi fazer um balanço dos filmes que vi por lá, não apenas para dar as caras aqui, mas também para colocar as coisas no lugar pra mim mesmo. Resolvi fazer cotações e notas rápidas como forma de organizar o tanto de coisa vista, muitas vezes na correria e no cansaço. Portanto, nada aqui é absoluto. Tenho certeza que muita coisa pode mudar.

Alguns dos filmes ganharam texto meu para a cobertura da Revista Cinética. Muitos daqueles que não escrevi tem texto de outros redatores. Vale a pena uma olhada. Read the rest of this entry »


Melancolia

16 September, 2011

A discussão sobre cada novo filme de Lars Von Trier tem se tornado, pelo menos desde Dogville, um Fla-Flu ideológico. Muita gente tem muito texto para gastar sobre o pessimismo, o sarcasmo, a ironia e a misoginia do dinamarquês, traçar linhas genealógicas estéticas com Ibsen, Bergman, Dreyer, paralelos com Hitler, Cristo, Lennon e Chapolim. No final, conclui-se que seus filmes são geniais ou uma grande bobagem. Porém, quase nunca se passa da crença nas idéias e interpretações dos filmes. Com Melancolia não tem sido diferente.

A pergunta deixada de lado é simples: o que mudou em Lars Von Trier para que sua visão de mundo seja mais discutida que o seu cinema em si? Read the rest of this entry »


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