Kaká por 68 milhões de euros? Cristiano Ronaldo por 96? Estaria o Real Madrid fazendo um supertime?

Sei não, me parece mais um fogo de palha do Florentino Perez. Apesar do Super Real Madrid criado por ele no início desse século ter ganha uma Champions League, aquele time não foi tão superior aos outros quanto as cifras prometiam. E o resultado foi o atual time, fraco, pouco competitivo, recheado de bons jogadores de nível B (ou alguém acha que Snijder, Gago, Marcelo e Pepe são craques do primeiro escalão?)

A questão com a contratação de Kaká, Cristiano Ronaldo e agora Benzema é fazer todo mundo jogar bola junto. O novo técnico é uma promessa interessante: Pellegrini fez um belo trabalho em sua passagem pelo Villareal. Kaká não é um jogador-encrenca (e sempre decide jogos); já o Cristiano Ronaldo tem um ego do tamanho da Rússia e vai ser desgastante segurar o brio do homem quando ele não estiver a fim de ajudar. Benzema é o esteriótipo do delinqüente francês.

O Real Madrid, ao invés de tentar seguir o modelo de seu grande rival (o Barcelona supercampeão de 2009 tem sete jogadores formados nas suas categorias de base), prefere insistir no velho modelo das contratações milionárias (coisa que a MSI tentou implantar no Brasil, sem sucesso expressivo). Problema: quando as estrelas se forem, alguém vai ficar pra pagar a conta. Né Ronaldo?

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Down by Law é um filme sobre whisky barato e cafés, pessoas embriagadas e trabalhos perdidos, tempos difíceis que você tem com boas mulheres. Um grande filme se você conhece cinema. Cheio de referências. Uma antologia de imagens baratas do mundo do filme noir”

- Roger Ebert, Chicago Tribune

Pergunta: há maneira mais idiota de entender Down by Law do que esta do Ebert?

Aqui ele mostra que não sabe nada de cinema (tipo Rubens Ewald Filho?), talvez saiba de pop art, literatura de quintal, regimes digestivos, qualquer coisa menos cinema.

Ele consegue reduzir Down by Law ao que tem de mais superficial. É um parágrafo que ignora a verdadeira essência do filme – e do cinema de Jim Jarmusch, por extensão: ele está sempre ao lado das personagens; isso porque há uma fauna humana repleta de interesse e vida. Ao contrário do que pensa Ebert, o whisky, os cafés, a prisão, o pântano e St. Louis são apenas cenários onde as pessoas agem; Jarmusch trata as locações com belezas, mas não se preocupa com elas a ponto de esquecermos que tudo serve às pessoas, aos homens, e refletem seus estados de espírito: St. Louis vazia no início; o pântano expressionista e amedrontador. São cenários que refletem o homem.

O pior é que o comentário do Ebert está impresso na contracapa do DVD, lançado no Brasil pela Lume Filmes. Se o crítico é um marsupial, o distribuidor é uma gripe. A sujeição à fama sem análise, mostra o subdesenvolvimento cultural do caso.

Nessas horas eu penso: falta uma “Criterion Collection brasileira”, com DVDs bem cuidados tecnicamente (transfer, som), belo trabalho gráfico e escolha criteriosa dos textos que compõe o livreto (olha só: uma livreto!). Tem iniciativas, mas nada sistemático.

Hoje senti um vazio:

Lost só daqui 7 meses…

A confiança na imagem

Em Ascensor para o Cadafalso, Louis Malle nos mostra todas as cartas logo de cada: um funcionário de uma grande empresa (Julien) assassina seu chefe. O plano parece perfeito, mas algo dá errado e ele acaba preso no elevador quando tentava consertar seu “problema”. Ah, sim: ele ama uma mulher (Jeanne Moreau) que, por acaso, é esposa da vítima.

A matriz, como fica claro, é o filme noir americano (cultuado nessa geração francesa) e a influência de Pacto de Sangue, de Billy Wilder, é clara. Contudo, Malle não é um cineasta do classicismo e alguns signos estão modificados: o criminoso está impotente, preso no elevador, e não ronda propriamente a cena do crime; o detetive aparece apenas na metade da história e não tem grande influência no destino das personagens; a dualidade da femme fatale é fruto muito mais de inocência e engano que de suas segundas intenções; um outro crime acontece e por acaso os dois se associam, como por acaso Julien é pego e os dois crimes esclarecidos.

Este acaso tem nome e sobrenome: imagem fotográfica. É partir de fotografias que os crimes são revelados, as relações entre as personagens estabelecidas e a trama colocada no lugar, demonstração da confiança de Malle no poder revelador da imagem – não da verdade, mas de um momento ou uma relação, captando conflitos/diferenças e/ou aproximações/equivalências. Os tempos eram outros: tivemos os anos 60, o (re)nascimento da Hollywood nos anos 70, a era digital – e virtual –, Maio de 68, Woodstock, Godard, Spielberg, a expansão da TV, YouTube. A confiança nessa imagem parece abalada.

Ascensor para o Cadafalso (França, 1958) – Dir. Louis Malle

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A Sinceridade Plástica

Cinzas do Passado é o filme mais sincero de Wong Kar-wai. Isso porque a atenção plástica característica de suas obras está aqui no rosto do espectador trabalhada estruturalmente e não apenas como um deslumbre ou simples marca autoral. Temos aqui muito mais que um trabalho de imagem: trata-se praticamente de um estudo plástico por parte do cineasta chinês.

O(s) simples enredo(s) do filme propicia(m) este “estudo”. A profundidade que permeia uma história cheia de mitos da cultura da China antiga não é grande suficiente para se perder nela: o samurai a ficar cego, a mulher que toma uma bebida que faz esquecer as coisas, as paixões dos homens não correspondidas, tudo isso está num outro terreno, mais próximo da rapsódia e, portanto, com encadeamento mais frouxo, como um conto que se conta à beira da cama.

Isso porque Kar-wai está interessado em compor ritmo e colorido para este misticismo com a plasticidade dos planos através de pensamentos musicais: rimas, refrões, pontes. Os temas da água e da terra enquanto imagens impressionistas se repetem, com adição do vento que bate nestes elementos e cria novas formas e texturas. Tudo isso dá pulsão e vigor ao novo Cinzas do Passado.

Contudo, os tempos são outros (assim como o filme). A juventude e frescor são substituídos por experiência e fama, transforma esta curiosidade formal de Cinzas do Passado na tranqüilidade auto-icônica de 2046 e Um Beijo Roubado, uma fórmula – a preguiça celebrável – que cedo ou tarde pode atingir o realizador alçado à categoria de autor.

Apesar de adorar o Sport, foi muito bom ontem ver o Marcos jogando como nos velhos tempos – dias de São Marcos. Isso deve ser ressaltado porque em dias de Ronaldo, parece que só ele é ídolo. E, na verdade, ele é um ídolo (para o Corinthians) mais construído pela mídia que merecedor de fato (ou alguém acha que o Timão é seu amor eterno?).

Marcos não vai ter a mesma badalação do fenômeno. Entretanto, merece tanto quanto, pois ele decide em favor do Verdão e faz tempo. Não esqueçamos da Libertadores vencida pelo Palmeiras pelas mãos do goleiro. Mais de dez anos pelo clube, vários títulos importantes, identificação com a camisa e, acima de tudo, talento, humildade e personalidade em relação à mídia (ele nunca teve medo de falar o que pensa, mesmo que contra os próprios companheiros): tudo isso faz do São Marcos um ídolo do futebol.

Bem, esse é meu protesto contra o excesso de mídia pra uns – bons, sem dúvida – e pouco pra outros que merecem tanto quanto.

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PS: Se alguém fizer uma pequena pesquisa no blog, vai ver que eu sou são-paulino. Tudo isso porque tricolores e palmeirenses devem estar frustrados com esse excesso de Ronaldo. CHEGA!!!!

Acaba de sair Cinzas do Passado Redux. Vi o filme durante a Mostra e me parece um dos mais sinceros do diretor.

Todo mundo sabe que acho Wong Kar-wai superestimado. Sempre tem alguém que brada a profundidade do chinês no retrato do amor, principalmente quando à flor da pele (sim, essa doeu).

Para mim, ele esta mais para fogos-de-artifícios que armas-de-destruição-em-massa. Kar-wai achou seu caminho através da plasticidade, e isso é sedutor. Talvez ele seja bom nisso e não no que dizem os outros – não, ele não é o guru do amor. Acho que alguns filmes seus tem pose em excesso, um turbilhão de plasticidade e composição de quadro, a estrutura fragmentada que esconde certa frouxidão e, na verdade, falta uma massa de verdade cinematográfica (como o amour fou de Dias Selvagens) – reparar principalmente em 2046 e Um Beijo Roubado.

Prefiro infinitamente mais o Hou Hsiao-Hsien (esse sim um Godzilla).

Acho que escrevo ainda sobre o Cinzas do Passado Redux. Só preciso achar o texto da época…

Geralmente eu não gosto desse tipo de coisa, mas essa até que tem um charmezinho (não sei de que tamanho, mas tem….)

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SUBJECT: JOB INFLUENZA 24/7 STRAIN

Weekly Overload Recreational Killer (WORK)

The Center for Disease Control has issued a medical alert about a highly
contagious, potentially dangerous virus that is transmitted orally, by
hand, and even electronically.
This virus is called Weekly Overload Recreational Killer (WORK)
and it is responsible for the recent Job Influenza 24/7 outburst.
If you receive WORK from your boss, any of your colleagues or anyone
else via any means whatsoever –
DO NOT TOUCH IT!!!
This virus will wipe out your private life entirely. If you should come into contact with
WORK you should immediately leave the premises.
Take two good friends to the nearest liquor store and purchase one or
all of the following antidotes:
Work Isolating Neutralizer Extract (WINE),
Wasteful Human Information System Killing Yeast (WHISKY),
Vague Organization Deactivating Kinetic Antidote (VODKA) or
Bothersome Employer Elimination Rebooter (BEER).
Take antidotes repeatedly until WORK has been completely eliminated from
your system.
You should immediately forward this medical alert to five friends.
IF you do not have five friends, you have already been infected and
WORK is controlling your life.

Há mais ou menos um mês o atacante Adriano, da Inter de Milão, declarou publicamente que pararia de jogar futebol por tempo indeterminado. Isso porque toda a rotina de jogador o estava aborrecendo e ele não sentia mais prazer em jogar. Com menos de trinta anos, Adriano queria curtir a vida, ir pra balada, olhar, beber, fazer a farra com as gatinhas (ver foto) e coisas assim.

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Muito foi comentado sobre sua atitude corajosa em abandonar o futebol tão jovem, tão desprendida da fama e do dinheiro em favor da suas vontades individuais e sua felicidade. Enfim, ato que contraria as ações dos jogadores modernos, ávidos pelo dinheiro, máquinas capitalistas de fazer gols e vender camisas de seus respectivos clubes, até que recebem uma proposta lunática de dinheiro e correm alvoroçados atrás do pão de cada dia (vide Robinho e seu pão de 6 milhões de euros por ano).

Pois é: Adriano termina sua aposentadoria depois de longos 30 dias e assina com o Flamengo. Segundo ele, ele está com uma vontade absurda de jogar no Mengão. Fora o mal-caratismo de recindir um contrato por motivos particulares e depois assinar com um novo clube sem gastos (aposto que a Inter não vai levar nada na história), esse desfecho prova a velha máxima: nem tudo que reluz é ouro.

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Eu quero.